Economista friburguense explica os motivos de se pagar caro na hora de reabastecer ou comprar um botijão de gás
Em Nova Friburgo o preço da gasolina comum, combustível mais utilizado no município, custa cerca de R$7,83. Apesar do preço alto, o município não está entre as cidades do estado que cobram mais caro pelo produto. Diferentemente do gás de cozinha (botijão de 13 kg), que segundo o site da Agência Nacional de Petróleo, custa em média cerca de R$ 120, o valor mais caro do Estado.O EcoSerrano consultou a economista friburguense Stephanie Lima para saber os motivos que levam o município a ter um valor tão alto no preço dos combustíveis de uma forma geral. A economista também explicou que a justificativa que vale para a questão dos combustíveis pode ser aplicada também ao gás de cozinha, mas com algumas particularidades como, por exemplo, a questão do frete, que no município é mais caro.“O que de imediato podemos observar é que em geral, quanto maior a distância entre o ponto de abastecimento e o posto, maior seu custo de frete. Por exemplo, a distância entre a cidade de Nova Friburgo e de Duque de Caxias, um dos maiores pontos de abastecimento para postos e revendedores, é de 140,8 km. Para o mesmo abastecimento, a distância da cidade do Rio de Janeiro para Duque de Caxias é de apenas 25,7 km. O custo de frete será muito menor para postos mais próximos em comparação aos do interior”, explicou a economista.De acordo com Stephanie, para determinado volume de combustível negociado, já existe um custo preestabelecido na refinaria correspondente. Tal custo pode ser negociado com determinados revendedores diante de um volume de compra maior. “Logo, os que têm maior capacidade e rotatividade ganham maior poder de negociação em relação ao preço de venda. Isso contribui na redução da margem disponível para o preço ao consumidor final.”.A formação do preço que chega para todo consumidor se inicia na venda do barril de Petróleo. Há uma cadeia de causalidades que podem contribuir para a maior oscilação do valor. “Há diferença do custo entre refinarias, se o frete é próprio ou contratado, se há rotatividade para a venda, se há uma capacidade de armazenamento adequada e proporcional, entre outras variáveis que podem minimizar e gerar tais diferenças”, disse a economista.“Mas não se engane”, alertou. “Os preços muito abaixo podem sinalizar um combustível que foi manipulado. A composição permitida para a gasolina, por exemplo, é de 27% de etanol. Qualquer percentual acima retrata um combustível adulterado. Se houver dúvida quanto à qualidade, a melhor forma de identificar o problema é solicitando o teste do combustível pro revendedor.
Por que os preços estão altos?
Os valores dos combustíveis no Brasil estão atrelados ao valor de compra do barril de petróleo no mercado internacional. Isso se deve à Política de Preços admitida pela Petrobras em 2016, na qual o preço acompanha as movimentações internacionais do valor do barril. Diante de uma guerra com o segundo maior produtor de Petróleo mundial (A Rússia), o custo do barril superou US$ 130 no mês de Março, maior patamar em 14 anos.Com o efeito do câmbio, qualquer desvalorização da moeda implicará num custo maior em reais para a compra de cada barril. Isso significa variações no preço para o mesmo custo em dólares. Por exemplo, um câmbio de R$ 4/US$ 1 com o barril a US$ 100 geraria um custo de R$ 400,00, enquanto uma desvalorização do real para R$ 5/US$ 1 saltaria o valor do barril para R$ 500,00.A disparidade dos preços desde 2021, com os problemas no âmbito mundial da pandemia do coronavírus, já ratificava a máxima da lei de oferta e demanda sobre a commodity. O choque internacional com a guerra reduziu a oferta a um nível inferior à necessidade dos países pelo petróleo bruto, o que impactou ainda mais as nações com maior volatilidade do câmbio em relação ao dólar. Neste cenário, o repasse de todos os aumentos recaíram sobre o consumidor final.
O que diz o Procon-NF?
Ao EcoSerrano, o coordenador do Procon-NF, Alexsandro Gabetta, informou que, com relação aos combustíveis, o governo vem permitindo sucessivos aumentos o que infelizmente reflete no bolso dos consumidores. Em relação ao botijão de gás, o mesmo reflete e segue o aumento dos combustíveis.“O Procon fez uma fiscalização notificando as distribuidoras de gás da região no final do ano passado, solicitando cópias de notas fiscais de preços para levantarmos possíveis cobranças abusivas na região. Todo o material foi remetido à Procuradoria do município que por sua vez encaminhou tudo ao Ministério Público. Agora temos que aguardar um parecer dos mesmos”, disse Gabetta.