Duas pessoas algemadas são conduzidas por agentes ao lado de um veículo branco.

RJ: Pais são presos suspeitos de matar e torturar filho de 16 dias

Polícia Civil afirma que registros médicos e exames periciais apontam agressões. Identidades foram reveladas e casal era muito conhecido

Policiais civis da 60ª Delegacia de Polícia prenderam em flagrante, nesta terça-feira, 6 de outubro, um casal suspeito de matar o próprio filho, um recém-nascido de 16 dias. Segundo a investigação, registros médicos e exames periciais apontam que a criança sofreu agressões antes de morrer.

Os pais levaram o bebê ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes. A hipótese inicialmente apresentada para a morte era de possível sufocamento, mas a identificação de lesões levou os agentes a aprofundar a apuração.

O casal foi autuado, conforme a classificação da autoridade policial, por homicídio doloso qualificado. As investigações continuam para esclarecer a dinâmica dos fatos e a participação de cada envolvido.

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Contradições nos relatos levaram a novas diligências

Durante a madrugada, agentes do Grupo de Investigação Criminal foram acionados após policiais militares registrarem a morte da criança.

Na delegacia, os investigadores confrontaram as versões apresentadas pelos pais. Segundo a Polícia Civil, os relatos continham contradições, o que motivou a continuidade das diligências.

Os agentes também buscaram informações no hospital, onde analisaram os registros do atendimento e os elementos relacionados às condições em que o recém-nascido chegou à unidade.

Bebê chegou ao hospital em estado gravíssimo

De acordo com a documentação médica citada na investigação, a criança apresentava respiração agônica, descrita no registro como gasping, e foi encaminhada imediatamente à emergência pediátrica.

O atendimento identificou lesões na face, na parte de trás da cabeça e na clavícula esquerda. A quantidade e as características dos ferimentos levaram a polícia a verificar se havia relação entre as lesões e a morte.

Esses registros passaram a integrar a investigação, juntamente com os exames periciais complementares.

Perícia apontou lesões internas e sinais de chacoalhamento

Segundo as informações da investigação, os exames complementares identificaram uma lesão grave no fígado associada a trauma contundente, além de marcas na face compatíveis com pressão exercida por dedos.

A interpretação dos investigadores é de que a boca do bebê teria sido pressionada para impedir o choro. Essa hipótese integra a apuração policial.

Os laudos também apontaram lesões cerebrais compatíveis com movimentos violentos de chacoalhamento, quadro associado à chamada síndrome do bebê sacudido.

De acordo com a análise técnica citada pela polícia, os movimentos bruscos teriam provocado forças de aceleração e desaceleração capazes de causar as lesões identificadas.

Polícia relaciona os ferimentos ao período de cuidado pelos pais

Para a autoridade policial, o conjunto de informações médicas, periciais e investigativas indica que o recém-nascido foi submetido a violência antes da morte.

A investigação aponta que os pais eram as pessoas que mantinham contato direto com a criança no período em que os ferimentos teriam sido produzidos.

Esses elementos fundamentaram a prisão em flagrante e a autuação do casal. A apuração prossegue para estabelecer a sequência dos acontecimentos e as responsabilidades individuais.

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Investigação continua após prisão do casal

Não foram fornecidos detalhes sobre as contradições específicas dos depoimentos, a manifestação da defesa ou uma eventual decisão judicial posterior às prisões.

A autuação por homicídio doloso qualificado corresponde ao enquadramento feito pela polícia nesta etapa. O caso permanece sob investigação, sem informação de condenação dos suspeitos.

A identidade da criança é preservada nesta reportagem.

Canais para comunicar violência contra crianças

  • Disque 100: denúncias de violações de direitos humanos, incluindo violência contra crianças.
  • Polícia Militar — 190: situações de risco imediato.
  • SAMU — 192: emergências médicas.

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