Imagens do acervo de Osmar de Castro percorrem Riograndina, a Avenida Alberto Braune e praças que ainda fazem parte da vida da cidade.
Houve um tempo em que o trem dividia a paisagem de Nova Friburgo com árvores, praças, casas e os veículos que começavam a ocupar as ruas. Quem hoje conhece a Avenida Alberto Braune pelo movimento do trânsito pode encontrar, nas fotografias antigas, outra maneira de olhar para o mesmo lugar: a cidade acompanhando a passagem dos vagões (Veja todas as fotos no final do texto).
Os registros reunidos no acervo de Osmar de Castro levam esse passeio também a Riograndina, à Praça Demerval Barbosa Moreira e à Praça Getúlio Vargas. São lugares familiares aos friburguenses, vistos em uma época de menos prédios e de um centro com outra aparência. Reconhecer um ponto da cidade em meio a tantas mudanças é parte do encanto dessas imagens.
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O trem é o fio que liga as cenas. Em uma fotografia, o olhar pode segui-lo pelos trilhos; em outra, se detém nas construções, nas árvores ou no espaço que havia ao redor. Os veículos também aparecem na lembrança daquela Nova Friburgo. A cidade não estava parada no tempo — já mudava, como continuou mudando depois que o trem deixou de circular.
Por isso, as fotos fazem mais do que provocar saudade. Elas permitem comparar a ocupação das ruas, perceber o que permaneceu em cada praça e enxergar o que desapareceu da paisagem. Para quem viveu aquela época, podem trazer de volta o trajeto e o som do trem. Para os mais novos, mostram que a Alberto Braune e outros pontos conhecidos já tiveram uma rotina difícil de imaginar olhando apenas para o presente.
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Guardar essa história foi uma das grandes paixões de Osmar de Castro. Fotógrafo, colecionador e pesquisador, ele dedicou anos à reunião, identificação e digitalização de fotografias, gravuras e documentos de Nova Friburgo. Seu trabalho ajudou a tornar acessíveis registros que poderiam ter ficado restritos a álbuns particulares ou se perdido com o passar do tempo. Osmar morreu em janeiro de 2021, aos 56 anos, deixando uma contribuição valiosa para a memória da cidade. avozdaserra.com.br
Nas imagens do trem, essa dedicação ganha um sentido muito próximo de quem mora aqui. Não é preciso ter visto a locomotiva passar para reconhecer a Praça Getúlio Vargas ou procurar, entre os detalhes de uma foto antiga, a Avenida Alberto Braune de hoje. Osmar preservou a possibilidade desse encontro: olhar para uma rua conhecida e descobrir que ela já contou outra história.





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