Ponte Rio-Niterói testará fiscalização por velocidade média

Ponte Rio-Niterói vai testar radar que calcula velocidade de todo o percurso

Multa poderá ser pesada para quem cometer excesso de velocidade

A conhecida freada pouco antes do radar pode deixar de ser suficiente para quem circula pela Ponte Rio-Niterói. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a implantação experimental de um sistema capaz de calcular a velocidade média dos veículos durante parte do percurso.

Em vez de verificar apenas a velocidade registrada no instante em que o automóvel passa pelo equipamento, o novo modelo observará quanto tempo o motorista levou para atravessar determinado trecho da Ponte.

Apesar da autorização, o teste ainda não tem data para começar. A Ecovias Ponte, concessionária responsável pela administração da via, informou que ainda não recebeu os equipamentos necessários para colocar o sistema em funcionamento.

Durante o projeto-piloto, os motoristas não serão multados com base na velocidade média registrada.

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Como o novo radar funcionará?

O sistema contará com equipamentos instalados em dois pontos diferentes. O veículo será identificado ao entrar no trecho monitorado e novamente ao deixar o local.

Com base na distância percorrida e no tempo gasto durante o trajeto, a tecnologia calculará a velocidade média desenvolvida pelo motorista.

Na prática, isso significa que reduzir a velocidade apenas na proximidade do primeiro radar e voltar a acelerar logo depois não impedirá que o sistema identifique uma média acima do limite da via.

Imagine, por exemplo, um trecho que deveria ser percorrido em, no mínimo, seis minutos dentro da velocidade permitida. Caso o motorista faça o mesmo percurso em quatro minutos, o sistema poderá concluir que ele circulou acima do limite, ainda que tenha passado lentamente pelos equipamentos.

Qual trecho da Ponte será monitorado?

O projeto-piloto foi autorizado para o segmento localizado entre os quilômetros 323+700 e 332+720, no sentido Niterói. O percurso monitorado terá aproximadamente nove quilômetros.

A concessionária deverá instalar e manter sinalização adequada para avisar aos motoristas que o trecho está sendo acompanhado pelo sistema de velocidade média.

Motoristas receberão multas?

Não durante a etapa experimental.

A autorização da ANTT determina que o sistema tenha finalidade técnica, educativa e experimental. Nenhuma autuação ou penalidade poderá ser aplicada exclusivamente com base na velocidade média identificada pelos novos equipamentos durante o período de testes.

A experiência servirá para analisar a confiabilidade das informações produzidas, o funcionamento dos aparelhos, o comportamento dos motoristas e os possíveis impactos do sistema na segurança e na operação da Ponte.

Os radares convencionais e as demais regras de trânsito, entretanto, continuarão valendo normalmente.

Teste terá duração de seis meses

O projeto-piloto terá duração inicial de 180 dias, equivalente a aproximadamente seis meses. O prazo começará a ser contado somente após a instalação e a efetiva entrada em funcionamento dos equipamentos.

A ANTT poderá prorrogar o período ou encerrar a experiência antecipadamente, dependendo dos resultados obtidos, do cumprimento dos objetivos, de questões técnicas ou de razões de interesse público.

Segundo informações divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo, ainda não há previsão para o começo do monitoramento.

Velocidade média poderá gerar multa no futuro?

Uma eventual aplicação de multas por velocidade média não será automática após o término do teste.

Para que o modelo passe a ser utilizado como instrumento de fiscalização, serão necessárias novas análises técnicas, jurídicas e regulatórias, além das autorizações exigidas pelos órgãos competentes.

Portanto, a autorização concedida para a Ponte Rio-Niterói não representa a adoção imediata de uma nova modalidade de multa. Neste primeiro momento, o sistema servirá para testar uma forma diferente de identificar motoristas que mantêm velocidades elevadas durante o percurso, mesmo que reduzam ao se aproximarem dos radares tradicionais.

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