Estrutura em construção da Escola Quilombola do Bracuí, em Angra dos Reis

Prefeitura de Angra transforma antiga ruína em escola quilombola

Projeto terá capacidade para 100 alunos e estrutura voltada à comunidade

A construção da Escola Quilombola do Bracuí chegou a aproximadamente 50% de execução em Angra dos Reis. A unidade está sendo erguida perto do Quilombo de Santa Rita do Bracuí e terá capacidade para atender até 100 estudantes em cinco salas de aula. A obra integra os investimentos conduzidos pela administração municipal liderada pelo prefeito Cláudio Ferreti (MDB) na região do Bracuí. No mesmo território, a Prefeitura também revitaliza o Ginásio Poliesportivo da Morada do Bracuí. Mais do que instalar uma escola próxima a uma comunidade tradicional, o projeto deverá criar um espaço em que a educação dialogue com a história, o território, a cultura e os conhecimentos construídos pelas famílias quilombolas ao longo das gerações. A construção ocupa um terreno de 3.405,33 metros quadrados onde havia uma antiga ruína. A área edificada será de 1.078,78 metros quadrados, dividida entre um prédio principal, um anexo e uma passarela de ligação.

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O que é uma escola quilombola?

A Educação Escolar Quilombola é uma modalidade reconhecida da educação básica brasileira. Ela atende estudantes que vivem em comunidades quilombolas e deve considerar a relação dessas populações com seu território, sua ancestralidade, suas formas de organização, sua memória coletiva e seus saberes tradicionais. Isso significa que uma escola quilombola não se caracteriza apenas pela localização. O ensino precisa cumprir a formação comum prevista para todos os estudantes brasileiros, mas seu projeto pedagógico deve incorporar a realidade da comunidade atendida. As diretrizes nacionais foram estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação em 2012. Elas determinam que o funcionamento dessas escolas considere a história dos quilombos, as práticas culturais, as tradições orais, as relações com a terra, o trabalho, a ancestralidade africana e a participação da própria comunidade. O currículo não substitui disciplinas como Português, Matemática, Ciências e História. A diferença está na forma de relacionar esses conteúdos à experiência dos estudantes e de impedir que a história da população quilombola seja tratada de maneira distante, superficial ou restrita a datas comemorativas. A participação das famílias e lideranças locais na construção do projeto político-pedagógico é, portanto, uma parte essencial desse modelo de educação.

Por que essa escola é importante para o Bracuí?

O Quilombo de Santa Rita do Bracuí carrega uma história ligada à resistência negra, à formação do território e à preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações. Uma escola vinculada a essa realidade pode contribuir para que crianças e adolescentes reconheçam sua própria comunidade como parte da história do Brasil, sem precisar separar a aprendizagem escolar da vida no território. A proposta também ajuda a combater o racismo, a invisibilidade histórica e a evasão escolar. Quando o estudante encontra sua identidade, sua família e sua comunidade representadas no ambiente educacional, a escola pode estabelecer uma relação mais próxima com sua realidade. O desafio da gestão municipal liderada por Cláudio Ferreti (MDB) não termina com a entrega do prédio. Para que a unidade funcione efetivamente como escola quilombola, será necessário garantir formação adequada aos profissionais, materiais didáticos compatíveis, participação comunitária e um currículo construído em diálogo com o Quilombo do Bracuí. Esses elementos são tão importantes quanto a estrutura física e diferenciam uma escola quilombola de uma unidade convencional instalada perto de uma comunidade tradicional.

Unidade terá biblioteca, auditório e sala de informática

O prédio principal contará com biblioteca, auditório, sala de informática, setores administrativos, espaço de convivência e sanitários. No anexo ficarão as cinco salas de aula, cada uma preparada para receber 20 estudantes. O espaço também terá refeitório, cozinha, pátio coberto e área de serviço. Segundo a Prefeitura, o projeto arquitetônico utiliza técnicas sustentáveis. O material divulgado, porém, não detalha quais soluções ambientais serão empregadas. A etapa atual está concentrada na montagem da cobertura de madeira e no telhamento. Depois, serão executados os serviços de alvenaria, instalações elétricas e hidrossanitárias, revestimentos, esquadrias e acabamentos. A administração municipal não informou, no material apresentado, a previsão de entrega da escola, o valor atualizado do investimento nem as etapas de participação da comunidade quilombola na definição do projeto pedagógico.

Ginásio terá quadra recuperada e playground

A outra intervenção conduzida pela gestão Cláudio Ferreti no Bracuí é a revitalização do ginásio poliesportivo da comunidade. A obra inclui recuperação do telhado, revisão das instalações elétricas e hidrossanitárias, substituição das calhas e pintura completa da estrutura. Na área externa, estão previstas pavimentação, implantação de playground e paisagismo. A proposta é devolver às famílias um espaço destinado ao esporte, ao lazer e à convivência. As equipes trabalham atualmente na colocação de porcelanato nos banheiros, vestiários e cozinha, além da pintura artística interna. A próxima etapa inclui a pintura do piso da quadra e a conclusão da área externa. Inaugurado em 2008, o ginásio possui quadra oficial para futsal, basquete e voleibol, arquibancada, palco, camarim, cantina e banheiros. Nos últimos anos, o espaço também recebeu temporariamente os alunos da Escola Municipal Morada do Bracuí enquanto a sede definitiva da unidade passava por obras. A escola quilombola e a recuperação do ginásio ampliam a estrutura pública no Bracuí, mas a Prefeitura ainda precisa apresentar os prazos de conclusão das duas intervenções e detalhar como a comunidade participará da implantação da nova unidade de ensino.

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