Muralha Digital integra monitoramento do Rio e de Duque de Caxias

Segurança: Muralha Digital conecta Rio e Caxias

Sistema integra as duas cidades e permite acompanhar placas em tempo real

Cruzar a divisa entre o Rio de Janeiro e Duque de Caxias poderia significar a interrupção do acompanhamento realizado pelas câmeras municipais. Cada cidade possuía sua própria estrutura e trabalhava com as informações geradas dentro de seu território. Uma parceria anunciada no sábado (25) pretende mudar esse cenário. As duas prefeituras assinaram um protocolo para integrar o Civitas Rio e o Smart Duque, sistemas utilizados pelas administrações municipais no monitoramento de ocorrências. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), além de Washington Reis (MDB), participaram do lançamento da estrutura. O primeiro resultado já está instalado na Avenida Leonel de Moura Brizola, no trecho que separa Vigário Geral, na Zona Norte, de Duque de Caxias. O local recebeu a primeira Muralha Digital compartilhada entre os municípios. A principal novidade não está apenas na colocação de novas câmeras. Está no caminho percorrido pela informação depois que uma placa é identificada.

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Alerta acompanha o veículo pela divisa

Quando um veículo acompanhado pelo sistema de uma das cidades atravessar para o município vizinho, os dados passarão a alimentar os relatórios das duas centrais. Na prática, o alerta não ficará limitado ao território onde o monitoramento começou. Rio e Caxias poderão acompanhar a movimentação utilizando informações compartilhadas. A proposta é impedir que a divisa municipal funcione como um ponto cego. A tecnologia também poderá auxiliar na reconstrução do caminho percorrido por veículos relacionados a ocorrências sob apuração. A identificação de uma placa, porém, não comprova que o motorista ou os ocupantes tenham cometido algum crime. O sistema funciona como uma ferramenta de localização e apoio às autoridades. Qualquer medida posterior depende da verificação das informações e dos procedimentos legais aplicáveis.

Como funciona a Muralha Digital

O ponto instalado na Avenida Leonel de Moura Brizola utiliza câmeras com leitura automática de placas. Quando um veículo passa pelo local, a tecnologia reconhece os caracteres da placa e registra a passagem. Caso exista um alerta relacionado àquele automóvel, a informação pode ser encaminhada às centrais responsáveis pelo acompanhamento. Esse tipo de equipamento permite organizar dados como local, horário e direção do deslocamento. A integração pretende juntar os registros das duas cidades e oferecer uma visão mais completa da trajetória. O anúncio não detalha quais bases serão consultadas, por quanto tempo as informações ficarão armazenadas, quem terá autorização para acessar os registros nem quais procedimentos serão adotados diante de uma leitura incorreta. Esses pontos deverão aparecer nos futuros acordos operacionais e planos de trabalho previstos pelo protocolo.

Divisa concentra movimento intenso

A escolha da Avenida Leonel de Moura Brizola coloca a primeira estrutura em uma ligação direta entre a Zona Norte do Rio e a Baixada Fluminense. O trecho recebe diariamente veículos que circulam entre os dois municípios. Essa movimentação torna a região estratégica para um projeto que depende justamente da comunicação entre estruturas administrativas diferentes. Antes da integração, uma ocorrência iniciada em uma cidade poderia exigir o envio de informações por outros canais quando o veículo cruzasse o limite municipal. Com os sistemas conectados, a proposta é permitir que os registros sejam compartilhados com maior rapidez. A parceria não significa, entretanto, que todos os acessos entre Rio e Duque de Caxias já estejam monitorados de maneira conjunta. Até agora, foi apresentado apenas o primeiro ponto da Muralha Digital.

Painel também transmitirá avisos

Além das câmeras, a estrutura possui um painel de LED. O equipamento será usado para apresentar informações sobre o trânsito e comunicados de utilidade pública. O painel poderá ajudar na divulgação de interdições, alterações de circulação e outros avisos direcionados a quem passa pela avenida. As prefeituras ainda não informaram quais órgãos serão responsáveis pela atualização das mensagens nem quais critérios serão utilizados para definir os conteúdos exibidos.

Parceria poderá chegar a outros pontos

O protocolo de intenções abre caminho para novos acordos entre os municípios. Os próximos passos dependerão da elaboração de planos específicos, que deverão estabelecer responsabilidades, rotinas de funcionamento e regras para a troca de informações. O documento divulgado não apresenta um cronograma para a instalação de outras muralhas, nem informa quantos equipamentos poderão ser implantados. Também não foram indicadas as próximas vias que poderão receber a tecnologia. A expansão, portanto, ainda dependerá de novos atos das duas prefeituras. O lançamento contou com a participação do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e do prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis.

Integração exige cuidado com os dados

O compartilhamento amplia a capacidade de acompanhamento, mas também aumenta a quantidade de pessoas, órgãos e sistemas que podem ter contato com os registros. Por esse motivo, o protocolo prevê diretrizes de segurança da informação e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados. Os planos futuros deverão explicar como será realizado o controle de acesso, o armazenamento e o uso das informações. A leitura de placas envolve dados ligados a veículos e deslocamentos. Mesmo quando a finalidade é a segurança pública, o acesso precisa ser restrito aos profissionais autorizados e utilizado para objetivos definidos. Também será necessário manter registros que permitam verificar quem consultou ou compartilhou uma informação. Esse controle é importante para impedir acessos indevidos e esclarecer eventuais questionamentos.

O que ainda precisa ser explicado

A primeira Muralha Digital já foi inaugurada, mas o anúncio deixa perguntas que deverão ser respondidas durante a implantação da parceria:
  • quais situações poderão gerar alertas;
  • quais órgãos receberão as informações;
  • por quanto tempo os registros serão guardados;
  • como possíveis erros na leitura das placas serão corrigidos;
  • quais servidores terão acesso aos dados;
  • se haverá auditoria sobre as consultas;
  • quantos pontos serão instalados futuramente;
  • quais resultados serão divulgados à população.
A integração pode reduzir o tempo necessário para localizar um veículo, mas sua eficiência dependerá da qualidade dos equipamentos, da atualização das informações e da comunicação entre as equipes. A Muralha Digital inaugurada na divisa não é apenas uma nova câmera. Ela representa a tentativa de fazer com que dois sistemas municipais passem a enxergar a mesma movimentação, mesmo quando o veículo deixa uma cidade e entra na outra.

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