Investigação aponta acesso a milhares de registros e prejuízo estimado em R$ 1,43 milhão
Um bancário investigado por supostamente utilizar o acesso profissional para retirar informações sigilosas de clientes teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no último sábado, 18 de julho.A decisão foi tomada após manifestação do Núcleo de Atuação Perante as Centrais de Audiência de Custódia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o NACAC/MPRJ.Carlos Luiz Araujo Pelegrino é investigado pelos crimes de acesso ilegal a sistemas informatizados, tentativa de furto mediante fraude e organização criminosa.Segundo as investigações, ele teria usado credenciais funcionais do Banco do Brasil para entrar indevidamente em sistemas internos e retirar dados de correntistas.Entre as informações acessadas estariam nomes, números de CPF, telefones, saldos bancários e limites de transferências por Pix.A suspeita é de que os dados fossem enviados para um servidor externo utilizado por uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias.
Os números apresentados na investigação dão dimensão ao caso.Relatórios técnicos apontam que a movimentação teria atingido 4.105 registros, relacionados a 2.898 contas bancárias de clientes distribuídos por 585 agências em diferentes partes do país.Os prejuízos estimados chegam a aproximadamente R$ 1,43 milhão.O valor, segundo o material divulgado, está relacionado às perdas atribuídas às fraudes investigadas. A apuração ainda deverá esclarecer a participação de cada envolvido e como as informações teriam sido utilizadas em cada operação.Não há, no material divulgado, detalhamento sobre quantos clientes conseguiram recuperar os valores ou se todas as contas acessadas chegaram a sofrer movimentações financeiras.
Justiça aponta risco de repetição
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público defendeu que o investigado permanecesse preso.O NACAC/MPRJ citou a gravidade concreta dos fatos, a necessidade de preservação da ordem pública, a proteção da investigação e o risco de repetição das supostas práticas.Ao converter a prisão em preventiva, o Juízo também levou em consideração que o bancário exercia uma função de confiança havia mais de 20 anos na instituição financeira.Segundo a decisão, essa posição teria permitido o acesso e a transmissão de informações sigilosas de milhares de clientes.A Justiça também mencionou a complexidade do esquema investigado e o elevado prejuízo financeiro estimado.A prisão preventiva não significa condenação. Ela é uma medida cautelar aplicada durante a investigação ou o andamento do processo e pode ser revista pela Justiça.O investigado permanece protegido pela presunção de inocência e terá direito à defesa e ao contraditório.Com a prisão convertida em preventiva, o bancário permanecerá à disposição da Justiça enquanto as investigações continuam.As autoridades deverão aprofundar a análise dos acessos realizados, do servidor externo, das movimentações financeiras e da participação de outros possíveis integrantes do esquema.Até o momento, não foi divulgada manifestação da defesa do investigado. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.ACOMPANHE O ECOSERRANO