ATENÇÃO PASSAGEIROS: Linhas já estão em funcionamento. Novo terminal terá ligação com o BRT e capacidade para cerca de 60 veículos
Quem circula diariamente por Campo Grande conhece uma rotina marcada por pontos espalhados, baldeações demoradas e ônibus municipais e intermunicipais operando sem uma integração adequada. A proposta apresentada pela Prefeitura do Rio tenta concentrar boa parte dessa movimentação em um único endereço.O novo Terminal Intermodal de Campo Grande deverá ser construído em uma área de 22,2 mil metros quadrados, entre a Estrada da Caroba e a Rua Campo Grande. O investimento estimado é de R$ 81,1 milhões.O projeto prevê a reunião de 33 linhas municipais e intermunicipais, além de conexão com o Terminal BRT Campo Grande. A expectativa é transformar o local em um dos principais pontos de transporte público da Zona Oeste, atendendo também passageiros vindos de municípios da Baixada Fluminense.A Prefeitura apresentou o projeto no sábado, 11 de julho. A construção ainda depende da conclusão do processo de licitação. Depois dessa etapa, a previsão é de que as obras sejam executadas em até dois anos.
Durante a apresentação, o prefeito Eduardo Cavaliere anunciou nove novas linhas de ônibus, que deverão ampliar as ligações entre bairros da Zona Oeste e outras regiões da cidade.As linhas divulgadas foram:
750 — Sepetiba x Deodoro
758 — Pindo D’Água x Coelho Neto
800 — Vila Kennedy x Tanque
815 — Inhoaíba x Pindo D’Água
827 — Cabuçu de Baixo x Mato Alto
839 — Pedra de Guaratiba x Magarça
877 — Vendas de Varanda x Sepetiba
902 — Ribeira x Del Castilho
930 — Fundão x Downtown
As novas ligações foram apresentadas dentro do processo de reorganização do transporte por ônibus no município. Elas não se limitam ao entorno do futuro terminal, mas ajudam a ampliar as conexões entre bairros que hoje dependem de baldeações ou trajetos mais longos.Segundo Cavaliere, a intenção é levar aos ônibus convencionais uma transformação semelhante à realizada no sistema BRT.— O Terminal Intermodal de Campo Grande vai concentrar os novos ônibus da região e melhorar a qualidade do embarque, dar mais segurança, mais condições e dignidade para o passageiro da Zona Oeste — declarou.
Integração com seis municípios
O terminal deverá receber 21 linhas municipais previstas na primeira fase do Sistema RIO, nova concessão do transporte por ônibus da capital.Essas linhas atenderão principalmente Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Santa Cruz e Sepetiba.Outras 12 linhas intermunicipais farão a ligação com:
Itaguaí;
Seropédica;
Nova Iguaçu;
Mesquita;
Nilópolis;
Duque de Caxias.
Essa integração pode facilitar a vida de passageiros que atravessam diariamente os limites da capital para trabalhar, estudar ou utilizar serviços na Zona Oeste.Hoje, muitas dessas viagens exigem desembarque em pontos improvisados, caminhadas e trocas entre diferentes linhas. Ao reunir as operações, a proposta é organizar o embarque, reduzir conflitos no trânsito e diminuir o tempo gasto nas conexões.
Capacidade para cerca de 60 ônibus
O terminal foi projetado para receber aproximadamente 60 ônibus simultaneamente e será construído em dois níveis.O pavimento superior terá cerca de 13,2 mil metros quadrados, três plataformas cobertas, área de apoio aos motoristas, guarita de segurança, sanitários, escadas e elevador. O espaço poderá acomodar mais de 30 ônibus ao mesmo tempo.Já o nível inferior terá aproximadamente 8,9 mil metros quadrados, com plataformas para passageiros, sanitários e área administrativa.O acesso inferior será feito pela Rua Campo Grande. O superior ficará ligado à Rua Padre Pauwels.Uma passarela sob a linha férrea conectará os dois pavimentos ao Terminal BRT Campo Grande, permitindo que o passageiro troque de sistema sem precisar percorrer longos trajetos pela rua.O projeto também prevê dez quiosques para o comércio local e um bicicletário, abrindo espaço para a integração entre bicicleta, ônibus convencional e BRT.
Santa Cruz terá outro terminal
Além de Campo Grande, a Prefeitura mantém em andamento a construção do Terminal Bairro Imperial Santa Cruz.O projeto ocupa um terreno com mais de 17 mil metros quadrados e terá três pavimentos. O investimento informado é de R$ 73,7 milhões, com previsão de conclusão e início da operação no segundo semestre de 2027.A estrutura poderá receber até 14 ônibus articulados do BRT, dez ônibus convencionais e micro-ônibus.Somados, os terminais de Campo Grande e Santa Cruz representam investimentos próximos de R$ 155 milhões.
Mobilidade ainda depende da execução
O anúncio insere o terminal em um conjunto de obras viárias já entregues ou em andamento na Zona Oeste, incluindo intervenções na Estrada da Caroba, Avenida Cesário de Melo, Estrada do Tingui, Estrada do Lameirão e Estrada do Monteiro.Campo Grande concentra mais de 350 mil moradores e funciona como um polo de comércio, serviços e transporte para vários bairros próximos. Por isso, qualquer mudança no sistema de ônibus tende a atingir um número elevado de passageiros.O projeto apresentado tem porte suficiente para alterar essa rotina, mas os efeitos concretos dependerão da licitação, da execução da obra, do cumprimento do prazo e da entrada efetiva das linhas anunciadas em operação.Até lá, o novo terminal permanece como uma promessa de reorganização de uma das regiões que mais dependem do transporte público no Rio.