Muito além do entretenimento: Planejamento e parcerias para transformar o calendário cultural em fonte de turismo, trabalho e renda
Um evento começa muito antes da abertura dos portões e seus efeitos não terminam quando o palco é desmontado. Em uma cidade turística, a programação cultural pode representar quartos ocupados, mesas cheias, aumento das vendas e novas oportunidades de trabalho.Foi a partir dessa cadeia, que vai dos artistas ao pequeno comércio, que Zé Alexandre defendeu novos investimentos no calendário de Nova Friburgo. O assunto foi abordado em uma edição do quadro Nova Friburgo de A a Zé, programa semanal voltado a debates sobre o desenvolvimento do município. A existência e a publicação do quadro também podem ser verificadas em vídeos divulgados em seu canal.Como presidente do Instituto de Políticas Públicas Municipais, o IPPM, Zé Alexandre sustentou que os eventos precisam deixar de ser observados apenas como opções de entretenimento.Na avaliação dele, quando uma programação consegue atrair visitantes de outras cidades, o dinheiro começa a circular por diferentes pontos de Nova Friburgo. Hotéis e pousadas recebem hóspedes; bares e restaurantes ampliam o movimento; motoristas, fornecedores, montadores, técnicos, artesãos e produtores locais encontram novas possibilidades de trabalho e venda.“Quando um evento acontece, quem ganha não é apenas quem sobe ao palco. Ganham os hotéis, as pousadas, os restaurantes, os pequenos comércios, os produtores rurais, os artesãos e os artistas locais”, afirmou.
O impacto econômico de um evento nem sempre aparece apenas no espaço onde ele é realizado. O visitante que chega ao município também consome combustível, utiliza transporte, compra produtos, procura alimentação e, dependendo da duração da programação, permanece hospedado.Esse movimento ajuda a explicar por que a construção de um calendário regular pode ser importante. A repetição de eventos ao longo do ano permite que empresários, trabalhadores e prestadores de serviços se preparem com antecedência. Também reduz a dependência das temporadas mais tradicionais do turismo serrano.Para Zé Alexandre, entretanto, o resultado não aparece apenas com a escolha de uma atração. É necessário definir público, estrutura, divulgação, segurança, transporte e integração com os negócios da cidade. Sem esse planejamento, parte do potencial econômico pode ficar restrita ao interior do próprio evento.“Quando existe planejamento, ele fortalece a identidade da cidade, movimenta a economia local e cria oportunidades para quem empreende, trabalha e vive no município”, declarou.
Calendário também ajuda a construir um destino
Com quase três décadas de atuação nas áreas de turismo, produção cultural e organização de eventos, segundo as informações encaminhadas ao EcoSerrano, Zé Alexandre participa atualmente da organização do Fri Jazz & Blues, do Art & Bier e do Festival Choro na Serra.As três iniciativas integram segmentos diferentes, mas ajudam a formar uma programação capaz de atrair públicos variados. A diversidade também permite que Nova Friburgo seja procurada em diferentes épocas do ano, e não somente durante o inverno ou em feriados prolongados.Nesse cenário, o desafio da cidade não é apenas realizar eventos isolados. É transformar essas programações em parte de uma estratégia permanente, conectando cultura, gastronomia, hotelaria, produção rural, comércio e divulgação turística.Quanto maior for essa integração, maiores são as chances de o visitante permanecer mais tempo, circular por diferentes bairros e voltar ao município em outra oportunidade.O programa Nova Friburgo de A a Zé é publicado semanalmente nas redes sociais e apresenta discussões sobre políticas públicas, desenvolvimento e qualidade de vida. As informações utilizadas nesta reportagem foram encaminhadas ao EcoSerrano como material de divulgação.