Imagem com mapa do Oceano Pacífico destacando áreas com aquecimento acima da média, utilizadas pela NOAA para monitorar o desenvolvimento do El Niño.

Chances de Super El Niño acontecer no Brasil aumentam para 81%

Fenômeno já está ativo e pode ganhar intensidade nos próximos meses

O comportamento do Oceano Pacífico voltou a chamar a atenção dos meteorologistas. A nova atualização divulgada pelo Centro de Previsão Climática (CPC), da agência norte-americana NOAA, mudou significativamente o cenário que vinha sendo acompanhado desde o início do ano. Agora, os especialistas avaliam que existe 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. Caso isso aconteça, o episódio poderá figurar entre os mais intensos observados desde o início dos registros modernos, iniciados em 1950. A mudança é importante porque, até poucos meses atrás, havia dúvidas sobre a intensidade que o fenômeno alcançaria. Hoje, esse cenário já não existe. O aquecimento das águas do Pacífico evoluiu e os sinais na atmosfera confirmam que o sistema climático está respondendo ao avanço do El Niño.

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O que mudou nas últimas semanas

Os cientistas não analisam apenas a temperatura da água. Eles observam também como a atmosfera reage ao aquecimento do oceano. Segundo a NOAA, essa conexão ficou muito mais evidente nas últimas semanas. Houve alterações na circulação dos ventos, aumento das áreas de chuva sobre o Pacífico central e mudanças na formação de nuvens próximas à Indonésia — características típicas de um El Niño em fortalecimento. Outro dado que reforça esse cenário é o índice Niño-3.4, considerado a principal referência mundial para monitorar o fenômeno. Na medição mais recente, ele alcançou +1,2°C, um avanço expressivo em relação ao registrado em maio, quando ainda estava em +0,4°C. Além disso, regiões próximas à costa da América do Sul já apresentam aquecimento ainda maior, indicando que o oceano continua acumulando energia.

Fenômeno pode permanecer até 2027

A NOAA também revisou a duração do episódio. A estimativa é de 97% de probabilidade de que o El Niño permaneça ativo até o início de 2027, mantendo influência sobre o clima em diferentes partes do planeta durante vários meses. Embora cada evento tenha comportamento próprio, episódios muito fortes costumam provocar alterações expressivas nos padrões de chuva e temperatura.

O que pode acontecer no Brasil

Nenhum El Niño produz exatamente os mesmos efeitos, mas existe um padrão observado em eventos anteriores. No Sul do país, normalmente aumenta o risco de chuvas frequentes, temporais e episódios de precipitação intensa. Já em áreas do Norte e do Nordeste, costuma haver redução das chuvas e temperaturas mais elevadas, agravando períodos de estiagem em algumas regiões. No Sudeste, incluindo o Estado do Rio de Janeiro, os impactos variam conforme a época do ano e a interação com outros sistemas meteorológicos. Em alguns períodos, o fenômeno favorece temperaturas acima da média; em outros, pode alterar a distribuição das chuvas. Por isso, os meteorologistas reforçam que o El Niño não determina sozinho como será o clima em uma cidade específica, mas influencia o comportamento da atmosfera em grande escala.

O fenômeno ocorre em um planeta mais quente

Outro aspecto observado pelos pesquisadores é que o atual El Niño se desenvolve em um contexto diferente do registrado décadas atrás. Hoje, o planeta já apresenta temperaturas médias mais elevadas devido às mudanças climáticas. Isso significa que eventos naturais podem potencializar extremos de calor, de chuva ou de seca. Foi exatamente esse cenário que ajudou a impulsionar diversos recordes globais de temperatura registrados nos últimos anos, tornando o acompanhamento do fenômeno ainda mais importante para cientistas e órgãos de monitoramento climático.

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