Mais de 1.500 clientes foram afetados somente no interior do Rio
Uma pipa presa na fiação pode parecer apenas uma brincadeira que saiu do controle. Mas, em poucos segundos, ela pode virar choque elétrico, bairro sem luz, comércio parado, equipamento queimado e até risco para serviços essenciais.Em Nova Friburgo, esse perigo deixou de ser hipótese. Entre maio e junho de 2026, ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica impactaram 1.533 clientes no município, segundo a Energisa. No mesmo período do ano passado, a empresa não registrou casos desse tipo na cidade.O número chama atenção justamente no período em que crianças e adolescentes passam mais tempo em casa, com as férias escolares, e as brincadeiras ao ar livre se tornam mais frequentes. Soltar pipa continua sendo uma tradição, mas precisa acontecer longe da rede elétrica e sem qualquer tipo de material cortante.
O risco começa quando a pipa é solta em ruas, lajes, calçadas ou terrenos próximos à fiação. Uma mudança no vento pode levar a linha em direção aos cabos. Se a pipa enrosca, ninguém deve tentar puxar, balançar a linha, usar vara, subir em poste ou se aproximar da rede.A orientação é simples: manter distância e acionar a distribuidora.O contato com a rede elétrica pode provocar choque grave, queda de energia e danos ao sistema. Dependendo do local atingido, a interrupção pode afetar casas, lojas, escolas, unidades de saúde e outros serviços que dependem do fornecimento contínuo.A Energisa reforça que apenas equipes autorizadas podem atuar na rede elétrica. A retirada por conta própria é perigosa e pode terminar em acidente.
O perigo ainda maior do cerol e da linha chilena
O problema não está apenas na rede elétrica. O uso de cerol, linha chilena ou qualquer linha com material cortante transforma uma brincadeira em ameaça para quem está na rua.Motociclistas, ciclistas e pedestres são as principais vítimas. A linha quase invisível pode atingir rosto, pescoço, braços e causar ferimentos graves. Quem manuseia também corre risco, principalmente crianças e adolescentes, que podem se cortar durante a brincadeira ou ao tentar recuperar a pipa.No Estado do Rio de Janeiro, o uso, o porte, a posse e a comercialização de cerol, linha chilena e produtos cortantes usados em pipas são proibidos por lei. Na prática, não se trata de exagero: esse tipo de material pode matar.Também não devem ser usados fios metálicos, papel laminado ou qualquer componente que conduza eletricidade. Quando esses materiais entram em contato com a rede, o risco de choque aumenta.
Onde soltar pipa com segurança
A recomendação é escolher locais amplos, abertos e afastados de postes, transformadores, subestações, cabos e vias movimentadas. Campos, parques e áreas livres são os espaços mais indicados.O gerente de Operações da Energisa Minas Rio, Filipe Dini, afirma que a escolha do local é a principal medida para reduzir acidentes.“Parques, campos e outras áreas abertas são os locais mais indicados para soltar pipa, porque reduzem o risco de ela atingir a rede elétrica. Essa escolha protege quem participa da brincadeira, evita danos à rede e reduz as chances de interrupções no fornecimento de energia. Caso a pipa fique presa na fiação, ninguém deve tentar retirá-la. Apenas profissionais autorizados pela Energisa podem realizar intervenções na rede elétrica”, destacou.
O que fazer em caso de risco
Se uma pipa ficar presa na rede, se houver cabo rompido ou qualquer situação de risco envolvendo a fiação, a população deve manter distância e acionar a Energisa.Canais de atendimento:Energisa On:www.energisa.com.br/energisaonWhatsApp Gisa: (32) 9 8426-1352Site:www.energisa.com.brCall Center: 0800 032 0196A orientação vale para adultos e crianças. Soltar pipa pode continuar fazendo parte das férias, mas longe da rede elétrica, sem cerol, sem linha chilena e sem improvisos. O que começa como diversão não pode terminar em tragédia.