NOVIDADE: Anúncio de paralisação pode ser feito nas próximas horas
O carioca voltou a fazer a conta que ninguém queria refazer: como chegar ao trabalho, à escola, ao médico ou em casa se os ônibus pararem de novo?A greve que tirou parte da cidade da rotina por três dias foi suspensa, mas o problema que levou os rodoviários à paralisação continua sobre a mesa. Motoristas e demais trabalhadores do sistema seguem em estado de greve, as empresas ainda não apresentaram uma proposta considerada suficiente pela categoria e uma nova rodada de negociação foi marcada para a próxima segunda-feira (13), às 11h, no Tribunal Regional do Trabalho.Até lá, o transporte por ônibus no Rio entra em uma espécie de contagem regressiva, podendo até ser paralisado antes da reunião. O clima é tenso. Os coletivos seguem circulando, mas a ameaça permanece viva.
A categoria decidiu suspender a greve iniciada no começo do mês para permitir o avanço das negociações. Foi uma trégua, não um acordo.Na assembleia realizada nesta terça-feira, os rodoviários rejeitaram a proposta de reajuste de 4,5% apresentada pelas empresas de ônibus, além da oferta de cesta básica. O índice foi considerado insuficiente pelos trabalhadores, que afirmam buscar recomposição salarial e melhores condições de trabalho.O sindicato da categoria também decidiu reduzir a reivindicação inicial. O pedido, que era de 17%, passou para 12%, parcelado em duas vezes. Para os rodoviários, a mudança foi uma sinalização de que a categoria quer negociar e evitar uma nova radicalização do movimento. Para o passageiro, no entanto, o efeito prático ainda é de incerteza.Enquanto não houver acordo, o estado de greve continua.
O medo de quem depende do transporte
No Rio, ônibus não é apenas transporte. É o caminho de quem sai de madrugada para trabalhar, de quem atravessa a cidade para estudar, de quem depende de integração, de quem não tem alternativa ao coletivo.Por isso, qualquer ameaça de paralisação atinge antes o passageiro. Mesmo quando a greve ainda não voltou, a dúvida já interfere na rotina. Famílias se organizam com medo de atraso, trabalhadores tentam prever rotas alternativas, estudantes acompanham as notícias e comerciantes sabem que um dia sem ônibus muda o movimento da cidade.O impasse entre rodoviários e empresas não está restrito a uma mesa de negociação. Ele bate diretamente na vida de quem depende do sistema todos os dias.
O que os rodoviários querem
Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estão reajuste salarial de 12%, piso de R$ 4 mil para motoristas e melhores condições de trabalho. O debate também envolve a realidade de uma categoria que atravessa jornadas pesadas, pressão diária no trânsito e responsabilidade direta pelo deslocamento de milhares de passageiros.Do lado das empresas, o argumento é financeiro. O Rio Ônibus afirma que a situação das viações é delicada e, por isso, não teria condições de apresentar um reajuste maior neste momento.Essa diferença entre o que os trabalhadores pedem e o que as empresas dizem poder pagar é o centro do impasse.
Segunda-feira pode definir o rumo da semana
A próxima audiência no TRT ganhou peso porque pode indicar se o Rio caminha para um acordo ou para um novo capítulo de tensão no transporte público. O encontro foi marcado para segunda-feira, às 11h, e deve reunir representantes dos rodoviários, das empresas e a mediação da Justiça do Trabalho.O Ministério Público do Trabalho também acompanha o caso, em uma tentativa de evitar que o impasse termine novamente nas ruas, nos pontos lotados e nos terminais sem operação.A expectativa é que as empresas apresentem uma resposta mais concreta sobre a possibilidade de melhorar a proposta. Na última rodada, o reajuste oferecido passou de 4,39% para 4,5%, diferença que não foi suficiente para convencer a categoria.
A cidade não aguenta mais uma surpresa
A greve anterior mostrou o tamanho da dependência do Rio em relação aos ônibus. Quando o sistema para, a cidade sente em cadeia: atrasos se multiplicam, trabalhadores perdem hora, consultas são remarcadas, escolas esvaziam e outras formas de transporte ficam sobrecarregadas.Por isso, a segunda-feira não interessa apenas aos sindicatos e às empresas. Interessa a quem espera no ponto, a quem fecha o mês contando passagem, a quem precisa atravessar bairros inteiros para trabalhar e a quem não tem como simplesmente trocar de meio de transporte.A greve está suspensa. O serviço continua. Mas o acordo ainda não veio.E, no Rio, enquanto esse acordo não chega, o medo de ficar sem ônibus de novo segue andando junto com o passageiro.