Fileiras de equipamentos usados na mineração de Bitcoin apreendidos em galpão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias.

O escândalo da mineradora digital clandestina que roubava energia, na Baixada

Vídeo mostra a estrutura de 123 máquinas que funcionava 24 horas por dia

Por trás das paredes de um galpão em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, 123 máquinas trabalhavam sem parar para produzir moedas digitais. O consumo de energia, porém, não aparecia regularmente na conta: segundo a polícia, toda a estrutura era mantida por uma ligação clandestina (veja o vídeo no final da matéria). O espaço usado para mineração de Bitcoin foi desativado durante uma operação conjunta das polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro. A ação ocorreu na segunda-feira, 15 de junho, após investigações iniciadas a partir de informações encaminhadas ao Disque Denúncia. No interior do galpão, os agentes encontraram uma instalação de grande porte, montada para operar durante 24 horas por dia. Foram apreendidos 123 equipamentos do modelo Antminer S19, além de transformadores, exaustores, disjuntores, computadores e sistemas empregados no monitoramento remoto da atividade. As máquinas apreendidas foram avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 650 mil. A estimativa apresentada durante a operação é de que o conjunto pudesse produzir entre R$ 50 mil e R$ 70 mil por mês com a mineração de criptomoedas. O valor mais elevado, entretanto, estaria no consumo de energia que deixava de ser pago. Segundo os cálculos divulgados pela polícia, o prejuízo mensal imposto à concessionária poderia variar entre R$ 250 mil e R$ 350 mil.

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O que as máquinas faziam

A mineração de Bitcoin utiliza equipamentos de alta capacidade para realizar cálculos computacionais e validar operações realizadas na rede da criptomoeda. Como recompensa pelo processamento, o responsável pela estrutura pode receber frações de Bitcoin. O processo demanda energia continuamente e também produz grande quantidade de calor. Por isso, estruturas maiores costumam utilizar transformadores, ventilação intensa, exaustores e sistemas de acompanhamento permanente. No caso encontrado em Jardim Gramacho, a suspeita criminal apontada pela investigação está relacionada principalmente ao furto de energia usado para manter toda a instalação funcionando. A atividade de mineração, isoladamente, não foi apresentada como o motivo da intervenção policial.

Documento encontrado ainda não define responsabilidade

Entre os materiais recolhidos havia documentos de identidade, inclusive de um cidadão paraguaio. A descoberta fará parte da investigação, mas a presença do documento no galpão, por si só, não permite concluir quem comandava a estrutura ou qual seria a participação de seu titular. Caberá à Polícia Civil apurar os responsáveis pelo imóvel, pelas máquinas, pela ligação clandestina e pelo eventual recebimento dos valores produzidos pela mineração. As autoridades também deverão verificar para quais contas ou carteiras digitais eram direcionadas as criptomoedas e há quanto tempo o sistema permanecia em funcionamento.

Outra ligação clandestina encontrada

Durante a mesma ação na região, os policiais também identificaram uma empresa do setor de plásticos que, de acordo com a ocorrência, utilizava energia elétrica furtada para manter suas atividades comerciais. Os dois casos foram descobertos durante a operação, mas envolvem estabelecimentos e atividades diferentes. As responsabilidades deverão ser individualizadas durante a investigação. Somando o valor estimado dos equipamentos, a produção mensal projetada e o prejuízo atribuído ao furto de energia, os responsáveis pela operação policial calcularam um impacto financeiro de aproximadamente R$ 885 mil para o grupo ligado ao galpão. O cálculo não representa necessariamente dinheiro encontrado no local nem prejuízo definitivo já comprovado. Trata-se de uma estimativa construída a partir do valor dos bens apreendidos, da capacidade de faturamento e do custo mensal da energia supostamente desviada. Todo o material foi recolhido e o caso encaminhado à 59ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias. Até a divulgação inicial da ocorrência, não havia informação sobre prisões, identificação formal dos responsáveis ou tempo exato de funcionamento da estrutura.

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