Quase um óbito por dia, na última semana. O que será que está acontecendo?
Seis notas de pesar publicadas pela Prefeitura de Nova Friburgo em um curto intervalo de tempo chamaram a atenção para uma questão delicada: o município está apenas enfrentando uma coincidência de fatalidades ou existe algum problema de saúde atingindo o funcionalismo público?A resposta, neste momento, é que não há informação suficiente para afirmar nenhuma das duas hipóteses.As manifestações oficiais comunicam as mortes de servidores ligados às secretarias de Saúde, Educação e Fazenda, mas não apresentam as causas dos falecimentos, as idades de todos os profissionais, as datas exatas das mortes nem informações sobre eventuais afastamentos anteriores.Sem esses elementos, qualquer tentativa de relacionar os casos a doenças ocupacionais, sobrecarga de trabalho, problemas estruturais ou a uma mesma condição de saúde seria especulação.Ainda assim, a concentração de publicações em um período tão curto justifica um levantamento mais amplo e transparente sobre a saúde dos trabalhadores municipais.
Na Secretaria Municipal de Saúde, a Prefeitura lamentou três mortes.Nilo Sergio Dutra da Silva era técnico de enfermagem e psicólogo. Segundo a nota oficial, atuava no Programa de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites da Subsecretaria de Vigilância em Saúde e acumulava 36 anos de serviço público.Andréia Farias trabalhava na farmácia da Unidade Básica de Saúde Tunney Kassuga, em Olaria.Emílio Shuvenck era servidor de carreira e havia trabalhado por mais de 20 anos como supervisor do Hospital Municipal Raul Sertã. Mais recentemente, exercia suas funções também na Unidade Básica de Saúde Tunney Kassuga.Na Educação, foram divulgadas duas notas.Adenair Freitas Lemos trabalhava na Creche Municipal Conceição Abicalil, no Cordoeira.Cátia da Silva Moura era servidora de carreira e atuava como auxiliar de secretaria na Escola Municipal Hermenegildo Gripp.A sexta homenagem foi dedicada a Eloan Navega Maciel, da Secretaria Municipal de Fazenda, que havia completado 28 anos de serviço público.Saúde teve três mortes, Educação duas e Fazenda umaConsiderando apenas as seis notas reunidas, a distribuição foi a seguinte:
Secretaria de Saúde: três servidores;
Secretaria de Educação: duas servidoras;
Secretaria de Fazenda: um servidor.
Esse recorte mostra onde estavam lotados os profissionais homenageados, mas não revela qual secretaria possui proporcionalmente mais mortes.Para chegar a essa conclusão, seria necessário saber quantos servidores trabalham em cada pasta. Uma secretaria com milhares de funcionários naturalmente tende a registrar mais ocorrências em números absolutos do que um órgão pequeno.O poder público, porém, pode apresentar dados coletivos e anônimos sobre a saúde do funcionalismo sem expor nenhum servidor.Entre as informações necessárias para avaliar a situação estão o número de mortes de servidores ativos registrado anualmente, a quantidade de afastamentos médicos, as doenças que mais provocam licenças, a distribuição por secretaria e o tamanho do quadro de funcionários de cada pasta.Também seria importante conhecer os dados da estrutura responsável pela saúde e segurança do trabalho, incluindo registros de acidentes, adoecimentos ocupacionais, avaliações periódicas e ações de prevenção.