Equipe de limpeza e revitalização trabalha em túnel do Rio de Janeiro.

Revitalização de 11 túneis no Rio continua entre maio e junho e pode travar trânsito

ATENÇÃO MOTORISTAS: Serviços avançaram e vias importantes terão interdição na capital fluminense

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Quem atravessa o Rio de Janeiro tarde da noite já começou a notar que a cidade mudou de ritmo em alguns dos seus principais corredores.

Faixas fechadas, iluminação diferente, cheiro de tinta fresca, equipes trabalhando de madrugada e o trânsito sendo desviado enquanto boa parte da população dorme. É assim que a Prefeitura do Rio vem conduzindo uma ampla operação de limpeza, pintura e revitalização em 11 túneis estratégicos da cidade — uma intervenção que começou no fim de março, avançou durante maio e vai continuar ao longo de junho.

A escolha pelo horário noturno não foi por acaso.

Grande parte desses túneis concentra diariamente milhares de veículos e conecta regiões que praticamente mantêm o Rio funcionando. Fechar essas vias durante o dia significaria travar a cidade. Ainda assim, mesmo de madrugada, as mudanças já começam a afetar motoristas de aplicativo, taxistas, caminhoneiros, profissionais da saúde, trabalhadores do turno da noite e quem depende das ligações entre Zona Sul, Zona Norte e Zona Oeste para voltar para casa.

Os trabalhos começaram pelos túneis Rebouças, Zuzu Angel e Alaor Prata, conhecido como Túnel Velho, todos na Zona Sul carioca. As equipes atuam entre 23h e 5h, de domingo a quinta-feira, com interdições organizadas pela CET-Rio.

Em muitos pontos, a sensação para quem passa é de que os túneis estão “renascendo” depois de anos marcados por paredes desgastadas, iluminação comprometida e acúmulo de sujeira provocado pela circulação intensa de veículos.

Só o Túnel Rebouças, uma das vias mais importantes da cidade, também deve receber uma nova etapa de intervenções estruturais. O processo inclui vedação de juntas e pintura das paredes laterais, com previsão de conclusão em agosto.

A intenção da Prefeitura é reduzir o aspecto escurecido das galerias e melhorar a visibilidade interna — algo que interfere diretamente na condução dos motoristas, principalmente em horários de chuva, neblina urbana ou grande fluxo.

Além dos primeiros túneis já em obras, o cronograma também inclui intervenções no Túnel Acústico Rafael Mascarenhas, nos túneis de São Conrado e do Joá, no Paulo César Marcellino (Novo Túnel de São Conrado), Luiz Jacques de Moraes (Novo Túnel do Joá), Major Vaz, Noel Rosa e no Mergulhão Billy Blanco.

O investimento estimado pela Prefeitura é de cerca de R$ 11 milhões.

Embora muita gente associe obras urbanas apenas a transtorno, existe um detalhe que costuma passar despercebido: os túneis estão entre os ambientes mais agressivos da infraestrutura viária.

Poluição constante, infiltrações, fuligem, vibração, calor e circulação intensa deterioram rapidamente paredes, sistemas internos e estruturas metálicas. Quando a manutenção atrasa, o desgaste aparece primeiro na sensação de abandono — depois, na segurança.

A revitalização faz parte do programa permanente de recuperação dos túneis cariocas iniciado em 2023. O primeiro grande equipamento contemplado foi o Túnel Santa Bárbara, revitalizado em 2024 com investimento municipal de aproximadamente R$ 9,4 milhões.

Segundo o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Diego Vaz, a manutenção contínua é necessária para garantir melhores condições de circulação.

“A manutenção dos túneis é essencial para garantir melhores condições de circulação e segurança viária. A pintura melhora a visibilidade e contribui para a qualidade da infraestrutura utilizada diariamente pela população”, afirmou.

Para quem vive o Rio no automático, muitas vezes o túnel vira apenas um trecho escuro entre um bairro e outro.

Mas quando a cidade decide parar durante a madrugada para recuperar essas estruturas, ela mexe diretamente em algo que carioca sente rápido: o tempo de deslocamento, a sensação de segurança e a forma como a cidade se movimenta.

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