Vista aérea da região da Praça Onze, Rio de Janeiro, com vias expressas e estruturas urbanas.

Demolição do principal viaduto do Rio é aprovada e está próxima de acontecer

Projeto avançou e abre caminho para reurbanização de área estratégica do Centro do Rio

O projeto da AEIU Praça Onze Maravilha foi aprovado em primeira discussão na Câmara do Rio e prevê mudanças profundas na região central da cidade. A proposta inclui demolição de elevado, abertura de vias e incentivo à ocupação urbana. A medida ainda depende de nova votação e audiência pública com moradores.

Contexto da decisão na Câmara do Rio

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, nesta terça-feira (5), em primeira discussão, o Projeto de Lei Complementar 92/2025, que cria a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha.

O texto recebeu 35 votos favoráveis e 10 contrários e ainda precisará passar por uma segunda votação antes de seguir para sanção do Executivo.

Mas o que está em jogo vai além de uma simples mudança legislativa.

O que o projeto prevê para a Praça Onze

A proposta estabelece um novo modelo de reurbanização para uma das regiões mais simbólicas do Centro do Rio.

Entre os principais pontos estão:

  • Demolição do Elevado 31 de Março

  • Abertura de novas vias na região central

  • Implantação de mergulhão entre ruas Frei Caneca e Salvador de Sá

  • Criação de praça sobre a nova estrutura viária

O projeto também prevê a criação da Biblioteca dos Saberes e do Boulevard do Samba, um corredor urbano ao lado do Sambódromo.

E é aqui que entra o ponto de atenção: o plano segue uma lógica de requalificação urbana com forte participação do setor imobiliário.

Incentivo urbanístico e impacto na ocupação

A proposta também flexibiliza regras urbanísticas para estimular a ocupação de áreas consideradas subutilizadas.

Na prática, isso significa:

  • incentivo a novos empreendimentos

  • aumento do potencial construtivo

  • atração de investimentos privados para a região

A região da Praça Onze, Estácio, Cidade Nova e entorno da Marquês de Sapucaí está incluída no perímetro da AEIU.

Mas não é só isso…

Debate político expõe visões diferentes

Durante a votação, o tema gerou leituras distintas dentro da própria Câmara.

O vereador Pedro Duarte (Novo) afirmou que a região, apesar de estratégica, foi historicamente negligenciada pelo poder público, mesmo concentrando equipamentos importantes como o Sambódromo.

Segundo ele, o projeto busca corrigir esse desequilíbrio urbano.

Já a vereadora Tainá de Paula (PT) chamou atenção para outro ponto: a necessidade de garantir que os incentivos urbanísticos resultem em moradia real e não apenas valorização imobiliária.

Ela defendeu mecanismos para evitar retenção especulativa de terrenos.

O que pode mudar na prática para a cidade

O projeto ainda não está em vigor, mas já antecipa possíveis efeitos diretos:

  • mudanças no trânsito da região central

  • impacto em deslocamentos diários

  • reconfiguração do entorno do Sambódromo

  • potencial aumento de obras e intervenções urbanas

Para quem circula diariamente pelo Centro, a discussão não é apenas técnica — ela pode alterar rotinas de mobilidade e uso do espaço urbano.

Próximos passos do projeto

A proposta ainda precisa:

  • passar por segunda votação na Câmara

  • receber emendas após audiência pública

  • ser sancionada pelo prefeito

A audiência pública itinerante está marcada para quarta-feira (6), às 19h, na própria Praça Onze.

Debate público

O que muda com a AEIU Praça Onze Maravilha?

Resposta: A proposta redefine regras urbanísticas da região, permitindo novas intervenções e incentivos imobiliários.

O Elevado 31 de Março será demolido imediatamente?

Resposta: Não. A medida ainda depende de aprovação final e execução futura pelo Executivo.

A população pode interferir no projeto?

Resposta: Sim. O texto ainda passará por audiência pública antes da versão final.

O projeto já está valendo?

Resposta: Não. Ele foi aprovado em primeira discussão e ainda precisa de nova votação.

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