Atestado médico com informações sobre afastamento do trabalho e CID.

Esquema de atestados falsos vira alvo de investigação no Rio e em Nova Friburgo

Denúncia detalhada revela facilidade para obter atestados médicos falsos e mobiliza investigação

Caso envolve emissão de documentos sem consulta e pagamento direto pela internet. Polícia já realiza diligências para identificar responsáveis.

Bastou poucos minutos e um pagamento simples para conseguir um atestado médico sem nunca ter passado por consulta. A facilidade com que o documento foi obtido acendeu um alerta no Rio de Janeiro e em Nova Friburgo e levou o caso diretamente para investigação policial.

A situação começou a ganhar forma quando um empresário da cidade percebeu algo fora do padrão dentro da própria empresa. Em pouco tempo, o número de atestados apresentados por funcionários aumentou cerca de 20%. A repetição e o formato dos documentos levantaram suspeitas, principalmente pela frequência e pela origem digital.

Foi então que ele decidiu testar por conta própria — e o resultado confirmou a desconfiança. Utilizando um chip novo e dados fictícios, o empresário acessou um site indicado informalmente e seguiu o processo. Sem consulta, sem qualquer contato com médico, conseguiu dois atestados, cada um com sete dias de afastamento, pagando R$ 70 por documento.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA NA PRÁTICA

O processo era simples, direto e totalmente automatizado. Ao acessar a plataforma, o usuário encontrava uma espécie de formulário com uma lista de doenças. Bastava escolher um sintoma, indicar quantos dias queria de afastamento e selecionar até mesmo o tipo de unidade de saúde — com opções que incluíam UPA e atendimento pelo SUS.

Nenhuma etapa exigia comprovação médica real. Depois de preencher os dados pessoais, incluindo CPF, o usuário era direcionado para o pagamento via PIX. A promessa era imediata: após a transferência, o atestado seria enviado.

Um detalhe chamou ainda mais atenção durante os testes. Em um dos casos relatados, foi possível emitir um atestado por “dismenorreia” — termo usado para cólica menstrual intensa — mesmo sendo o solicitante um homem. A inconsistência reforçou a suspeita de que não havia qualquer validação clínica.

IRREGULARIDADES NOS DOCUMENTOS LEVANTARAM ALERTA

A análise dos próprios atestados trouxe mais indícios de problema. Alguns documentos apresentavam QR Codes que, ao serem verificados, não correspondiam aos dados dos médicos indicados. Nome e número de registro profissional apareciam nos papéis, mas não se confirmavam nos sistemas oficiais.

Esse tipo de divergência levantou a hipótese de uso indevido de dados médicos. O caso passou, então, a envolver não apenas fraude documental, mas também possível falsificação e irregularidades mais amplas.

POLÍCIA E ÓRGÃOS DE CONTROLE ENTRAM EM AÇÃO

Com as provas em mãos, o empresário formalizou a denúncia. O caso foi levado à 151ª Delegacia de Polícia, em Nova Friburgo, e a 13º DP (Copacabana) que confirmou a abertura de investigação e a realização de diligências para apurar os fatos.

A apuração também avançou para outras frentes. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática foi acionada e instaurou inquérito próprio, considerando o uso da internet como meio para a prática. Além disso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, à Secretaria Municipal de Saúde e ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

Após a repercussão, o site utilizado no esquema saiu do ar. Ainda assim, a investigação busca identificar quem estava por trás da operação e se há outros canais semelhantes em funcionamento.

CONSEQUÊNCIAS PODEM SER GRAVES

A prática vai além de uma simples irregularidade. A emissão e utilização de atestados falsos pode resultar em pena de dois a três anos de prisão, além de multa, dependendo do enquadramento jurídico.

No ambiente de trabalho, os reflexos também são imediatos. Funcionários que utilizam esse tipo de documento podem ser demitidos por justa causa, o que reforça o risco envolvido.

CASO SEGUE EM APURAÇÃO

As investigações seguem em andamento e devem avançar nos próximos dias. A expectativa é que a identificação dos responsáveis ajude a esclarecer a dimensão do esquema e evite que novas fraudes ocorram.

Enquanto isso, o caso serve de alerta. A facilidade de acesso a serviços digitais sem verificação adequada pode abrir brechas para práticas ilegais que impactam empresas, profissionais de saúde e a própria credibilidade de documentos médicos.

Perguntas e respostas sobre o caso

Como os atestados eram obtidos? Por meio de um site automatizado, sem consulta médica, com pagamento via PIX.

Quanto custava um atestado? Cerca de R$ 70 por documento, com afastamento de até sete dias.

Quem investiga o caso? A 151ª DP de Nova Friburgo e a Delegacia de Crimes de Informática, além de outros órgãos.

O uso de atestado falso é crime? Sim. Pode gerar pena de prisão, multa e demissão por justa causa.

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