Operação aponta lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e movimentações patrimoniais atribuídas ao grupo que teria sucedido um dos milicianos mais letais do Rio de Janeiro
Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas em três ações penais no Rio de Janeiro. O Ministério Público afirma que o grupo manteve operações financeiras milionárias mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega.
Nestaquinta-feira, 19 de março de 2026, às 11h30, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro confirmou o cumprimento de dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão no âmbito da chamada Operação Legado, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Comarca da Capital e integram três denúncias apresentadas pelo Ministério Público, que investigam lavagem de dinheiro, continuidade de organização criminosa e ocultação patrimonial associadas ao grupo que, segundo a acusação, sucedeu o ex-miliciano Adriano da Nóbrega.
Ministério Público divide acusações em três frentes penais: Segundo nota oficial, a primeira ação penal trata da lavagem de recursos supostamente originados da exploração do jogo do bicho em áreas da Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana. A segunda denúncia aborda a estrutura de atuação do grupo criminoso após a morte de Adriano, enquanto a terceira detalha mecanismos de branqueamento patrimonial. De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 8,5 milhões em apenas quatro empresas consideradas de fachada.
Imóveis avaliados em R$ 3,5 milhões aparecem no centro da denúncia: Entre os elementos apontados pelo GAECO está a negociação de dois imóveis rurais avaliados em R$ 3,5 milhões, que, segundo os investigadores, pertenciam ao grupo embora estivessem formalmente registrados em nome de terceiros. A denúncia menciona Julia Lotufo como responsável pela venda posterior dos bens ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior (UNIÃO BRASIL) – Juninho do Pneu. Segundo o Ministério Público, o parlamentar foi denunciado, mas não há mandado judicial expedido contra ele nesta fase.
MPF afastou foro especial no caso: De acordo com informação oficial, o Ministério Público Federal entendeu que os fatos investigados não guardam relação direta com o exercício do mandato parlamentar. Por esse motivo, a apuração permaneceu na esfera estadual, sem incidência de foro por prerrogativa de função.
Empresas de fachada teriam movimentado milhões: A investigação menciona um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e até um quiosque de serviços estéticos em shopping da Zona Norte. Segundo os autos, apenas uma conta ligada a esse quiosque registrou aproximadamente R$ 2 milhões em créditos em seis meses. Entre os denunciados aparece também Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega.
Estrutura criminosa teria continuado após morte do líder: As investigações sustentam que, mesmo após a morte de Adriano, em 2021, a estrutura permaneceu ativa. Segundo o GAECO, o grupo teria ampliado atividades em áreas como agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular. Casos semelhantes já haviam sido investigados anteriormente no estado com foco em uso de pequenos negócios para movimentação de recursos.
Impacto institucional e desdobramentos: A nova fase reforça o avanço de investigações patrimoniais sobre organizações criminosas e pode gerar novas diligências judiciais nas próximas semanas. Os desdobramentos afetam diretamente processos de rastreamento de bens, bloqueios judiciais e cooperação entre órgãos de inteligência.
Atualização às 12h25 — mandados seguem em execução e material apreendido será analisado pelo GAECO.
O que já foi confirmado na operação?
Quantas pessoas foram denunciadas? Dezenove investigados aparecem nas três denúncias.
Há parlamentar citado? Sim, um deputado federal foi denunciado, sem mandado nesta fase.
Qual valor aparece nas movimentações? As investigações apontam mais de R$ 8,5 milhões em transações.