Antiga PCH às margens do Rio Macaé, em Glicério, RJ. Estrutura de 1927 desativada.

Imagens raras deste local histórico do RJ, um dos primeiros a produzir energia elétrica para o Brasil

Pertinho da capital fica escondido um dos locais mais importantes para o desenvolvimento do Estado do RJ e do país

Às margens do Rio Macaé, no distrito de Glicério, a antiga Pequena Central Hidrelétrica inaugurada em 1927 permanece como marco da eletrificação local. Desativada há décadas, a estrutura voltou ao debate recentemente após a rejeição, pela CECA, de um projeto para nova PCH no mesmo trecho do rio.

Um marco discreto na serra de Macaé

Fora dos roteiros turísticos tradicionais, no distrito serrano de Glicério, existe uma antiga estrutura que ajudou a moldar os primeiros passos de Macaé rumo à modernidade. Trata-se da antiga Pequena Central Hidrelétrica de Glicério, instalada às margens do Rio Macaé. O local, hoje em ruínas e situado em área particular sem acesso público, segue como referência histórica para moradores e estudiosos da memória energética do município.

Inauguração em 1927 e a força das águas

A PCH de Glicério foi inaugurada em 1927, em um período em que a geração de energia elétrica era essencialmente local. O funcionamento dependia diretamente da força das águas do Rio Macaé para abastecer serviços básicos, comércios e a iluminação pública. A obra foi realizada durante a gestão de Washington Luís, então presidente macaense em exercício, em um momento de transição urbana e tecnológica da cidade.

Engenharia japonesa em um projeto pioneiro

Um dos aspectos menos conhecidos da antiga usina é a participação de mão de obra e engenharia japonesa em sua construção. Para a década de 1920, esse tipo de cooperação técnica era considerado raro e avançado. Esse detalhe reforça a importância histórica da PCH, não apenas para Macaé, mas também como exemplo de intercâmbio tecnológico em um Brasil ainda em processo de industrialização.

Desativação e transformação em símbolo histórico

Com o crescimento urbano e a chegada de sistemas de energia mais modernos, a Pequena Central Hidrelétrica tornou-se obsoleta. A usina deixou de operar em 1972, encerrando definitivamente sua função produtiva. Mesmo assim, a estrutura não desapareceu. O que restou passou a simbolizar um período em que a cidade precisou produzir sua própria energia para se desenvolver.

Tentativa recente de nova PCH reacendeu o debate

Décadas após a desativação da usina original, o trecho do Rio Macaé voltou ao centro das discussões. Uma proposta apresentada pela empresa Ipar Participações previa a construção de uma nova PCH, com potência estimada em 17,7 MW, entre os municípios de Macaé e Casimiro de Abreu. De acordo com informações técnicas, o projeto poderia reduzir a vazão do rio ao longo de aproximadamente sete quilômetros, gerando preocupações ambientais, hídricas e sociais.

Rejeição do licenciamento e mobilização social

A proposta enfrentou forte oposição de órgãos ambientais, universidades, Comitê de Bacia Hidrográfica, prefeituras e movimentos da sociedade civil. Entre os argumentos apresentados estavam riscos ao abastecimento de água, impactos no ecoturismo e danos ao equilíbrio ecológico do rio. Conforme decisão da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA), o licenciamento foi rejeitado, com base na Lei Estadual nº 10.612/2024, que reconhece o Rio Macaé como Área Estadual de Interesse Turístico e veda intervenções que comprometam sua integridade.

Memória energética e identidade macaense

Hoje, a antiga PCH de Glicério permanece como um marco silencioso da história de Macaé. Ela ajuda a compreender como a cidade iniciou seu processo de modernização muito antes do petróleo, do porto e das grandes obras que marcaram períodos posteriores. Preservar essa memória significa manter viva uma parte da identidade macaense e reconhecer a importância do Rio Macaé como elemento central do desenvolvimento histórico e ambiental da região.

Veja todas as fotos aqui no Perfil Serra Macaese: https://www.instagram.com/p/DQ4y4F9AUYL/

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