Azeite em recipiente de vidro, com azeitonas.

Produto queridinho do brasileiro e campeão de vendas está mais barato

Redução do valor médio caiu quase R$ 10 e representa queda de 14,5%. Notou a diferença no preço?

Preço do azeite cai 14% em um ano no Brasil. Clima mais ameno na Europa, dólar em queda e tarifa de importação zerada explicam a redução. O azeite, que havia se tornado um dos produtos mais caros das prateleiras entre 2023 e 2024, finalmente apresentou alívio nos preços. Segundo dados oficiais, o produto ficou 14,55% mais barato em 12 meses, impulsionado por uma combinação de fatores internacionais e econômicos.

A queda no preço do azeite: alívio depois da disparada

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o azeite teve queda de 3,11% apenas em setembro, marcando nove meses consecutivos de redução. O professor Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Esalq-USP, explica que essa baixa é resultado de uma “junção de fatores climáticos e econômicos” que começaram a se alinhar em 2025. “A redução demorou um pouco para acontecer porque os estoques ainda tinham preços antigos, mas a queda nos supermercados já é nítida”, disse o especialista. Os consumidores perceberam a diferença: garrafas que chegaram a custar mais de R$ 60 no auge da crise, agora podem ser encontradas entre R$ 35 e R$ 40 em algumas redes varejistas.

Clima mais ameno na Europa ajudou a retomada da safra

Mais de 98% do azeite vendido no Brasil é importado, especialmente de Portugal e da Espanha. Em 2023 e 2024, o calor extremo e a seca nos olivais europeus provocaram perdas históricas de colheita, o que elevou o preço global do produto. Segundo o pesquisador Felippe Serigati, da FGVAgro, o cenário mudou neste ano: “Em 2025, o clima está mais ameno, o que favoreceu uma safra melhor na Europa. Isso aumentou a oferta e ajudou a normalizar os preços no mercado internacional.” Com a oferta maior, o custo de importação caiu, refletindo diretamente nas prateleiras brasileiras.

Dólar em queda reduziu o custo de importação

Outro ponto decisivo foi a desvalorização do dólar. No início de 2025, a moeda americana estava cotada em cerca de R$ 6,20, mas atualmente opera próxima de R$ 5,45. Essa variação influenciou o custo de todos os produtos importados, incluindo o azeite. “Como o dólar perdeu valor no mercado cambial brasileiro, tudo que é importado teve queda de preço”, explicou Serigati. De acordo com economistas, se o câmbio continuar estável e a safra europeia mantiver o ritmo, o azeite pode ficar ainda mais acessível até o fim do ano.

Isenção de imposto teve efeito limitado

Em março de 2025, o governo federal zerou a tarifa de importação de produtos como azeite, massas e queijos, para tentar conter a alta dos alimentos. O professor Carlos Eduardo Vian acredita que a medida ajudou a reduzir custos logísticos, mas teve efeito menor que os fatores climáticos e cambiais. “A influência foi pequena, se é que ocorreu. O principal impacto vem mesmo da melhora na safra e da queda do dólar”, afirmou Serigati.

Fraudes e apreensões também influenciaram o mercado

O setor passou por um momento de instabilidade entre 2023 e 2024, quando o governo federal apreendeu dezenas de marcas suspeitas de adulteração e falsificação de azeite. Essas ações aumentaram o controle de qualidade e pressionaram importadores a buscar produtos certificados, o que, segundo analistas, contribuiu para estabilizar o mercado neste ano.

O que esperar dos próximos meses

Se as condições atuais se mantiverem, o preço do azeite deve continuar em leve trajetória de queda até o final de 2025, segundo os especialistas consultados. Ainda assim, os analistas alertam que o setor continua dependente do clima europeu e da cotação do dólar. Qualquer nova seca ou valorização da moeda americana pode reverter a tendência.

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