Município do interior do Rio marcou para sempre a música brasileira
Quase toda cidade do interior do Rio de Janeiro se autoproclama capital de algum produto, seja um peixe ou uma fruta, para ganhar um pouco de fama. Mas São José do Vale do Rio Preto tem motivos muito maiores para se orgulhar.Foi numa tarde chuvosa nesse município que o maestro Tom Jobim compôs ‘Águas de Março’, eleita em 2001 por 214 críticos de todo o país como a “melhor canção brasileira de todos os tempos”.No Sítio do Poço Fundo, um regato, uma fonte, um pedaço de pão e até o carro que trouxe João Gilberto atolando na estrada se uniram para compor fragmentos poéticos que se tornaram eternos.Além da poesia, o município mantém vivo o cultivo de caquis, preserva fazendas históricas do ciclo do café e guarda lendas locais que retratam um Brasil diverso e cheio de histórias.
As origens de São José do Vale do Rio Preto
As raízes da cidade remontam ao início do século XIX. As terras que formam o núcleo principal pertenciam a Domingos Lopes de Carvalho, que doou boa parte para a Igreja.Em 1813, o local foi elevado a curato e, posteriormente, recebeu a denominação Freguesia de São José da Serra, e depois Rio Preto, pela proximidade com o curso d’água. A emancipação veio em 1987, desmembrando-se de Petrópolis (Lei nº 1.255).
A relação da família de Tom Jobim com a cidade
No fim dos anos 1940, a mãe de Jobim, Nilza, e seu padrasto, Celso Frota Pessoa, compraram o Sítio do Poço Fundo. O local servia como refúgio para o compositor, que ali se deixava inspirar pela natureza, chuva, água, animais e lama.Segundo depoimento de Daniel Jobim, neto do maestro, numa tarde de março de 1972, Tom Jobim sentou sozinho na varanda com um violão e começou a dedilhar a melodia, anotando os versos num papel de embrulhar pão.O lançamento oficial ocorreu no ano seguinte, em um compacto do jornal O Pasquim, marcando o início de uma trajetória que levaria ‘Águas de Março’ a centenas de regravações em diversos idiomas.
O fim do Sítio Poço Fundo
Em janeiro de 2011, fortes chuvas na Região Serrana provocaram enchentes e deslizamentos. Uma tromba d’água do Rio Preto destruiu completamente a sede do sítio, que nunca foi reconstruída, embora ainda pertença à família Jobim.
Turismo, natureza e cultura
São José do Vale do Rio Preto oferece turismo rural, natureza e cultura:
Pedra das Flores: trilhas e caminhadas em meio à Mata Atlântica.
Parque Municipal da Araponga e Área de Proteção Ambiental Maravilha: áreas preservadas.
Morro Grande: ponto de parapente com vistas da serra.
Fazendas históricas: cultivo de caqui e café, preservando a tradição agrícola.
Centro histórico: Igreja Matriz de São José, Centro Cultural Doutor Eugênio Ruottulo Neto, e culinária típica como a “chuchulinha”.
Melhor época para visitar
Outono e primavera: temperaturas amenas e menos risco de enchentes.
Inverno serrano (junho a agosto): clima frio, ideal para experimentar a gastronomia local e se hospedar em pousadas aconchegantes.
Como chegar
De carro, partindo da Guanabara, são cerca de 131 km em aproximadamente duas horas, com estradas sinuosas e paisagens montanhosas. Para transporte público, há linhas regulares de ônibus com tarifas a partir de R$ 67.