Carro alegórico de carnaval em destaque, com decoração elaborada e pessoas fantasiadas.

CASO JINGLE BELL: Investigados podem ser responsabilizados por peculato e corrupção ativa em Nova Friburgo

EXCLUSIVO: Parecer do MPRJ destaca supostos crimes com dinheiro público pela Secretaria de Turismo. Processo avança e está em fase final. Veja todos os detalhes

Parecer do MPRJ marca avanço do processo

O processo sobre supostas fraudes em licitações e contratos da Prefeitura de Nova Friburgo deu um passo decisivo. Em 3 de setembro de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) anexou o parecer final ao processo. Esse parecer é crucial, pois traz a análise do MP sobre as alegações de peculato — quando um funcionário público se apropria de dinheiro ou bens públicos — e corrupção ativa — quando alguém oferece vantagem indevida a um servidor público. A juntada desse parecer significa que o processo avançou para a próxima etapa, e agora a juíza responsável terá acesso à opinião do Ministério Público antes de tomar sua decisão, que pode ocorrer em breve.

Histórico da investigação

A investigação teve início após denúncias envolvendo os eventos de Natal de 2023 e 2024, cujos contratos chegaram a R$ 1,3 milhão e R$ 1,8 milhão, respectivamente. O EcoSerrano revelou suspeitas de superfaturamento, uso de figurinos reciclados e favorecimento de empresas ligadas a membros da Secretaria de Turismo. A operação do MPRJ em 11 de julho cumpriu mandados de busca e apreensão, recolhendo celulares e documentos. Entre os investigados estão:
  • Renan da Silva Alves – ex-secretário de Turismo;
  • Ozório Junior Tardin da Silva – ex-subsecretário de Turismo;
  • Hivilan Freiman Verly – presidente de agremiação carnavalesca;
  • Wanderson Tubias da Silva – tesoureiro da mesma entidade.
Áudios e documentos indicam que alguns investigados ajudaram a preparar documentos para favorecer determinadas empresas em licitações, reforçando suspeitas de favorecimento e conflito de interesse.

Rede de influência e favorecimento familiar

Provas apontam proximidade entre autoridades da Secretaria de Turismo e empresas contratadas, incluindo participação de familiares em eventos e licitações. O MPRJ observa possível conflito de interesse, já que alguns familiares estariam nomeados em cargos estratégicos e suas empresas foram contratadas pela Prefeitura.

Remanejamento de verbas públicas

Outro ponto central, mas paralelo à investigação,  é o remanejamento de recursos da Saúde e Educação para financiar festas. Em 2025, R$ 9 milhões da Saúde foram transferidos para a Secretaria de Turismo via Decreto Municipal nº 3.411/2025, sem aprovação legislativa. O MPRJ recomenda:
  • Criação de Plano Municipal de Turismo e Cultura;
  • Dotação orçamentária própria e permanente;
  • Reestruturação do Conselho Municipal de Turismo e Cultura;
  • Revogação do decreto de remanejamento de verbas;
  • Suspensão de eventos sem previsão orçamentária;
  • Controle legislativo rigoroso sobre uso de recursos públicos.

Doações de campanha sob análise

Além dos contratos, o TCE-RJ e a Justiça Eleitoral identificaram doações irregulares de Johnny Maycon a candidatos, incluindo Wanderson Solares – um dos investigados –, somando R$ 2.290,00. As contas do prefeito foram rejeitadas, e ele terá que devolver cerca de R$ 240 mil à Justiça.

Próximos passos

Com a juntada do parecer do MPRJ, a juíza Adriana Ramos de Mello analisará todos os documentos e decidirá se houve irregularidades que justifiquem responsabilizações ou correções. O Ministério Público já cumpriu seu papel, e os investigados agora aguardam a decisão judicial, que pode definir rumos importantes para a administração municipal e a transparência em licitações futuras.

O que dizem os citados

  • Johnny Maycon (Prefeito): afirmou que a Prefeitura denunciou e colabora com as investigações;
  • Rodrigo Ascoly (vice-prefeito): negou qualquer ligação com os investigados;
  • Demais citados: não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

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