Ações da polícia revelam esquema criminoso de facção paulista que atua no Rio em fraudes de combustível adulterado
Megaoperação nacional atinge rede criminosa
O setor de combustíveis voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira (28/08), quando o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em conjunto com órgãos federais e estaduais, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no estado.As ações fazem parte da Operação Carbono Oculto, que tem como alvo um esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis, além de fraudes fiscais e ambientais.
Estrutura nacional de combate
A operação mobiliza uma ampla força-tarefa que envolve:
GAECOs dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina;
Polícia Federal, Civil e Militar;
Receita Federal;
Secretaria da Fazenda de SP;
Agência Nacional do Petróleo (ANP);
Procuradoria-Geral do Estado de SP (PGE/SP), por meio do GAERFIS.
O trabalho integrado busca desarticular uma rede criminosa de grande porte, que atuava em diversos estados e possuía conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Movimentação bilionária e fraudes fiscais
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), as investigações apontam que o esquema movimentava mais de R$ 23 bilhões por meio da adulteração de combustíveis, uso de empresas de fachada e circulação de valores em fintechs.Somente em sonegação de tributos, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 7,6 bilhões aos cofres públicos. Além do impacto econômico, as autoridades destacam riscos ambientais e à segurança de consumidores que adquiriram combustíveis adulterados.
Alvos no Rio de Janeiro
No Rio, os mandados foram cumpridos em endereços estratégicos ligados à rede de abastecimento. O GAECO/MPRJ contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) na execução das buscas.As investigações buscam rastrear documentos, equipamentos e registros financeiros que comprovem a participação de empresas no esquema de adulteração e distribuição irregular.
Crime organizado e economia paralela
A presença do PCC na estrutura do esquema demonstra a expansão da facção para além do tráfico de drogas, consolidando a atuação em setores econômicos estratégicos como combustíveis. Segundo os investigadores, esse tipo de crime organizado amplia o poder financeiro do grupo e dificulta a atuação do Estado na arrecadação de tributos.
Próximos passos da investigação
As autoridades informaram que os elementos coletados nesta fase serão cruzados com dados fiscais, bancários e digitais já obtidos. Novas operações não estão descartadas, já que a rede criminosa possui ramificações em diferentes estados.O Ministério Público e a Polícia Federal reforçam que denúncias de venda de combustíveis adulterados podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais de atendimento dos órgãos de fiscalização.