Local terá sua história e arquitetura preservada. Veja todas as informações
Antigo espaço da Companhia de Luz Esteárica dará lugar a novo conjunto habitacional
A região próxima à Estação da Leopoldina e ao Terminal Intermodal Gentileza, em São Cristóvão, está prestes a passar por uma transformação significativa. O bairro, marcado por galpões e estruturas industriais do passado, se prepara para receber um dos maiores projetos residenciais da cidade, em uma área carregada de história.A responsável pelo investimento é a construtora Cury, que adquiriu os terrenos da antiga Companhia da Luz Esteárica, criada no século XIX pelo Barão de Mauá. A empresa, pioneira na produção de velas e combustíveis para iluminação pública da capital do Império, teve sua área ocupada ao longo do tempo por diferentes projetos que nunca chegaram a sair do papel.
Negociações e disputas anteriores pelo terreno
Em 2013, a norte-americana Tishman Speyer, proprietária do Rockefeller Center em Nova York, chegou a anunciar um ambicioso plano corporativo no local. A ideia era transformar o quarteirão em um complexo de alto padrão, mas o projeto foi abandonado em 2021. Estimava-se, à época, que o valor de mercado do terreno fosse de aproximadamente R$ 50 milhões.Posteriormente, o espaço foi colocado à venda pela Sérgio Castro Imóveis e chegou a ser cogitado pela Prefeitura do Rio para abrigar a Cidade do Samba 2, em um processo de desapropriação que também não avançou. A negociação com a Cury, cujo valor não foi divulgado, consolidou a mudança definitiva do destino do terreno.
Projeto prevê 1,7 mil apartamentos e preservação histórica
A proposta da Cury inclui a construção de quatro torres residenciais de 18 pavimentos, que somarão cerca de 1,7 mil unidades habitacionais, com opções de um a três quartos. O conjunto ocupará uma área de 18 mil metros quadrados e deverá ser concluído em até três anos.Um dos diferenciais do projeto é a preservação de elementos arquitetônicos originais. Alguns galpões serão restaurados, incluindo a tradicional chaminé da Companhia de Luz Esteárica, que permanece de pé há mais de um século. Apesar de não ser um imóvel tombado, a construtora afirma que a restauração busca valorizar a memória local.
Incentivos urbanísticos e novo perfil do bairro
O empreendimento faz parte da política de requalificação da região conhecida como “porto estendido”. Assim como no Porto Maravilha, o projeto utilizará os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que permitem edificações mais altas. Sem esse mecanismo, os prédios teriam no máximo seis pavimentos.As novas regras de urbanismo aprovadas em 2024 autorizam construções de até 36 andares em algumas áreas de São Cristóvão, equivalentes a 108 metros de altura. Para o mercado imobiliário, trata-se de uma mudança de patamar para o bairro.A superintendente de vendas da Sérgio Castro, Lucy Dobbin, avalia que “este será o lançamento mais emblemático da história de São Cristóvão”, ressaltando o impacto que o projeto terá no desenvolvimento da região.