Uma cidade do interior, um morro lendário e uma visita de outro planeta
Imagine um pequeno município da Região dos Lagos do Rio de Janeiro se preparando para o maior evento interplanetário da história. No dia 8 de março de 1980, Casimiro de Abreu virou manchete internacional ao organizar uma cerimônia para receber uma suposta nave alienígena vinda de Júpiter. E o melhor: tudo foi levado a sério.Jornalistas, curiosos e supostos representantes da NASA teriam viajado para assistir ao pouso de uma espaçonave que, claro, nunca apareceu.
O local escolhido para a aterrissagem era a Fazenda Nossa Senhora da Conceição, aos pés do misterioso Morro de São João, tido por muitos como um vulcão extinto.O morro, com 816 metros de altura, sempre foi cercado por mitos sobre cavernas subterrâneas ligadas ao mar, interferência magnética e até acidentes aéreos ocultados. Mas a geologia acabou com o mistério em 2006: não é um vulcão, e sim um resultado de explosões geológicas de mais de 62 milhões de anos.
A profecia do Mensageiro de Júpiter
Tudo começou com Edílcio Barbosa, um vidente que dizia ser o “Mensageiro de Júpiter”. Ele marcou hora, data e lugar do pouso da nave alienígena, prometendo o primeiro contato oficial com vida extraterrestre.A história viralizou. A prefeitura organizou palanque, desfile em carro de bombeiros, baile, presentes e até uma enciclopédia Barsa para entregar aos extraterrestres. Havia ambulância, Defesa Civil, PM, hospital de prontidão e regras como o “Decálogo dos ETs”, que proibiam lanternas e fogueiras.
Quando nada aconteceu…
A madrugada foi uma verdadeira Woodstock ufológica. Cerca de 9 a 30 mil pessoas compareceram. Houve confraternização, fumaça, música e esperança.Mas o relógio bateu 05h40 e… nada. Nenhuma nave.Edílcio explicou que o excesso de pessoas impediu o pouso. Precisou ser escoltado pela PM para não ser agredido. Anos depois, sua história virou o curta-metragem premiado “Efeito Casimiro”, da cineasta Clarice Saliby.
Um caso típico de Brasil surreal
Embora nada tenha pousado, o evento se tornou parte do folclore nacional. Muitos ainda garantem que viram luzes no céu.Mas talvez o verdadeiro “contato” tenha sido com a capacidade toda brasileira de transformar até o improvável em uma boa história — e com organização oficial.