Guarda Municipal do Rio de Janeiro está autorizada a utilizar arma de fogo e policiamento ostensivo

Aprovado projeto de lei que permite uso de arma de fogo por Guardas Municipais do Rio de Janeiro

Medida autoriza ainda outras ações de segurança pública. Veja todas elas na reportagem

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou, nesta terça-feira (15), por 43 votos a 7, em segunda discussão, o projeto que autoriza o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal. A decisão representa uma mudança histórica na Lei Orgânica do Município, e autoriza os guardas a atuarem de forma mais ativa na segurança pública. Com a aprovação do texto, os guardas poderão utilizar tanto armas letais quanto equipamentos não letais, desde que passem por treinamento específico. A proposta é de autoria do vereador Dr. Gilberto (Solidariedade) e não precisa de sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD) para entrar em vigor.

O que muda com a nova lei?

A medida autoriza a Guarda Municipal a realizar ações de segurança pública, inclusive policiamento ostensivo, preventivo e comunitário, respeitando os limites das demais forças de segurança. Para que a lei seja colocada em prática, ainda será necessária a aprovação de um Projeto de Lei Complementar (PLC) que regulamentará o uso das armas pela corporação. A expectativa da Câmara é que essa votação ocorra até o fim de junho, antes do recesso parlamentar de julho.

Projeto do prefeito previa mais mudanças

Paralelamente, tramita na Câmara o PLC 13/2025, enviado por Eduardo Paes em março, que propõe a transformação da Guarda Municipal na Força de Segurança Municipal. O projeto inclui a criação de um grupamento de elite, chamado Força de Segurança Armada, com agentes concursados e temporários. Contudo, o modelo enfrenta forte resistência de vereadores. O principal ponto de discórdia é a contratação de agentes temporários, considerada inconstitucional por diversos parlamentares, que defendem novos concursos públicos.

Armas fora do serviço? Projeto causa polêmica

Outro trecho polêmico do texto de Paes é o que determina que os guardas devam devolver as armas ao final do expediente, o que, segundo críticos, colocaria os agentes em risco no deslocamento entre o trabalho e casa. Além disso, parte dos vereadores defende o uso obrigatório de câmeras corporais, o que não está previsto no texto original. Outros parlamentares defendem que toda a Guarda Municipal seja armada, e não apenas um grupamento específico.

Cronograma previsto até 2028

O plano da Prefeitura era treinar 600 agentes por semestre, com a primeira turma concluindo a formação entre fim de 2025 e início de 2026. A meta era atingir 4.200 agentes armados até o final de 2028, considerando a contratação dos temporários. No entanto, esse cronograma dependerá da versão final da lei complementar que será votada.

Paes recuou após pressão

O projeto aprovado nesta terça é um substitutivo a uma proposta de 2018, que já tinha sido pautada 23 vezes sem ser votada. O texto voltou a tramitar após o recuo de Paes, que retirou sua proposta de criação da Força de Segurança Municipal, diante da forte oposição ao modelo de contratos temporários.

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