Em vídeo de campanha, candidato, que já foi subsecretário de Cultura, teria cometido crime de racismo e já foi denunciado. Vejas quem são os envolvidos
No dia 19 de setembro, João Toledo, ex-subsecretário de Cultura de Nova Friburgo e candidato nas eleições de 2024, gerou polêmica ao divulgar um vídeo criticando adversários políticos. Um dos trechos mais controversos foi a menção à vereadora reeleita do PT, Maiara Felício, na qual Toledo usou o termo “senzala ideológica” para descrever a postura do partido. O comentário provocou acusações de racismo por parte da vereadora e outros especialistas.O vídeo, que foi removido das redes sociais, motivou uma ação no Ministério Público e uma queixa criminal na 151ª DP de Nova Friburgo por parte de Maiara. Ela afirmou que a fala foi um dos episódios mais violentos de racismo que já sofreu. Em suas palavras ao EcoSerrano:“Foi um dos vídeos mais violentos que eu já sofri na minha vida, em questão racial, de racismo, que eu já vivi, porque foi institucionalizado. Eu não sei se ele teve recurso público e o utilizou para fazer esse vídeo. Uma pessoa que ja foi subsecretário. de Cultura e que diversas vezes dizia ser um aliado da luta antirracista, mas um discurso que a gente já sabia que não se fundamentava. A extrema direita pode ter interferido na atuação da população negra dentro da Secretaria de Cultura, pode ter comprometido a eficácia da Secretaria de Cultura com as agendas da diversidade. Agimos eleitoralmente e agora vamos agir na esfera do crime de racismo porque o que ele fez ele não pode repetir com pessoa alguma”, disse Maiara.Maiara ainda destacou que, enquanto subsecretário, Toledo já demonstrava não ser um aliado das pautas antirracistas, o que, segundo ela, poderia ter prejudicado a atuação da Secretaria de Cultura em ações de diversidade.Por outro lado, João Toledo negou a acusação de racismo e afirmou que o uso do termo “senzala ideológica” foi uma crítica política legítima, direcionada à incoerência do partido da vereadora em relação às pautas de minorias. Ele explicou:“Primeiramente, no vídeo citado, foi realizada uma crítica fundamentada em observação sobre o cenário político local. Ele menciona, de forma geral, alguns mandatos de oposição ao atual governo, questionando a ausência de candidaturas de certos vereadores oposicionistas à prefeitura. Ao se referir a esses políticos, João declara: ‘Nenhum deles teve coragem de virem candidatos… ou eles reconhecem o excelente trabalho que foi feito… ou os próprios partidos deles não confiavam neles mesmos’. A crítica se baseia na trajetória do atual prefeito, que, quando vereador de oposição, também estava insatisfeito com a administração local, colocou seu nome à disposição e venceu o pleito.”“Foi feita referência a diversos candidatos mencionados no contexto político, e, ao tratar do nome da candidata Maiara, afirmou: ‘Maiara Felício parece que até tentou’, referindo ao fato de que, antes do início do processo eleitoral, o nome de Maiara aparecia como uma possível candidata à prefeitura. Entretanto, seu partido escolheu como candidato Zé Alexandre. A crítica foi, portanto, direcionada à postura do partido em questão, que contrariou com esta decisão os ideais que ele próprio defende publicamente.”“No Brasil, é notório que os partidos de esquerda, inclusive o da candidata Maiara, historicamente se colocam como os grandes defensores das pautas raciais, de gênero e de orientação sexual. No entanto, João evidenciou, em seu discurso, o que entende ser uma contradição do partido ao não lançar a candidatura de Maiara — a vereadora com mais votos e mais nova da atual legislatura, mulher, negra, e militante da causa LGBTQIAPN+ — à prefeitura, optando por um candidato homem, branco e heterossexual. A crítica, portanto, destacou o que ele considerou ser uma hipocrisia do partido, que, apesar de se declarar defensor das minorias, não o faz em momentos decisivos. Em suas palavras, expressou que esse discurso de defesa das minorias parece ser vazio ou, bem como quando cita no vídeo que ‘dentro de uma senzala ideológica da esquerda, ela serve só para tirar fotos’.”“Nesse contexto, a crítica se baseou na divergência entre o discurso ideológico e a prática do partido, sem qualquer intenção de desmerecer a candidata ou fazer referência à sua condição racial de forma pejorativa.”Toledo também ressaltou que o termo “senzala ideológica” já foi utilizado por diversos intelectuais e figuras públicas negras. Ele cita exemplos como Sérgio Camargo, Paulo Cruz e Fernando Holiday, que usaram a expressão para criticar o controle ideológico imposto sobre determinados grupos sociais. Toledo argumentou que, dentro deste contexto, o termo não carrega conotação racista, mas, sim, uma crítica à falta de liberdade intelectual em determinados ambientes políticos:“A legitimidade do uso da expressão ‘senzala ideológica’ é reforçada por figuras como Paulo Cruz, filósofo e colunista, que frequentemente a utiliza para questionar a obrigatoriedade de adesão a determinadas pautas políticas por parte de pessoas negras. Cruz defende que o termo visa criticar o controle ideológico e reafirma o direito de negros pensarem de forma livre e diversa, sem serem constrangidos a seguir um pensamento imposto.”João Toledo concluiu sua defesa afirmando que o uso da expressão se deu no exercício da liberdade de expressão, garantida pela Constituição Federal, e que não houve intenção de cometer qualquer ato racista ou discriminatório.NOVO CANAL PARA DENÚNCIAS em Nova Friburgo e região serrana para compartilhar denúncias, acidentes e flagrantes. 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