Especialista em segurança levanta questões sobre eventual ocorrência com reféns no município e como as autoridades locais podem lidar com a situação
Na tarde da última terça-feira, 12, um homem sequestrou um ônibus da Viação Sampaio, na rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro. O acusado efetuou disparos dentro do ônibus e feriu duas pessoas, uma delas em estado grave. Em seguida, o homem se trancou no veículo, junto com 16 passageiros. Após cerca de três horas, ele se entregou.O especialista em segurança, Vinícius Cavalcante, com exclusividade ao EcoSerrano, levantou questões importantes com relação ao tema, projetando em um cenário hipotético como seria o preparo das autoridades policiais friburguenses para lidar com uma situação deste tipo.De acordo com Cavalcante, a modalidade mais comum desse tipo de ocorrência é a do criminoso comum que se vê frustrado em seu ímpeto de roubar e fugir conforme desejava e que toma reféns quando se vê tolhido pela polícia. Normalmente, essa tomada de reféns executada sem planejamento prévio é nervosa, lenta, mas facilmente gerenciável pela polícia e termina, ainda que leve algumas horas, com a rendição do criminoso e a liberação dos reféns.
Impedir curiosos de filmarem ocorrência
Vinícius pontua que, em uma situação como a da rodoviária Novo Rio, as forças de segurança devem providenciar o isolamento da área, bem como a contenção, o cerco e receber apoio na execução destas tarefas. “Afastar a presença de curiosos (a filmagem exterior da cena e sua liberação nas redes sociais pode, inclusive, ajudar o tomador (ou os tomadores) de reféns, permitindo que eles observem a movimentação do cerco”.O centro de monitoramento como a Cidade Inteligente pode ajudar o comando da polícia, monitorando a ocorrência e buscando, concomitantemente ao trabalho da polícia, imagens dos tomadores de reféns, de eventuais comparsas, além de observar a multidão que normalmente se avizinha dessas ocorrências a fim de detectar apoiadores velados ou comparsas.
Treinamento
“A questão é que ‘a gente combate do jeito que a gente treina’ e nós aqui, infelizmente, não nos precavemos para atuar em face desse e de outros tipos de situações de emergência. Não adianta fingir que em Friburgo não vai acontecer e de que, se ocorrer, na hora a gente vê como é que faz”, pondera Cavalcante.Ele destaca que não coloca a competência policial em dúvida, até por saber que a instrução de contenção/cerco e negociação básica é parte do treinamento em todos os efetivos policiais da PMERJ. A questão transcende isso, segundo ele.“Nós não temos – Graças a Deus – ocorrências dessa com a frequência do que eventualmente acontece nos grandes centros; será que todo mundo aqui saberia como proceder? Diferentes órgãos se integram, Guarda Municipal, Agentes de Trânsito, operadores da Cidade Inteligente. Quando foi a última vez que treinamos a atuação em ocorrências dessa natureza?”Cavalcante enfatiza que não se trata de duvidar da competência de quem quer que seja; só de mostrar que em Nova Friburgo, “pela própria voga relaxada da cidade”, ele tem dúvidas acerca de como as autoridades agiriam em casos semelhantes “sem ter de contar com a sorte ou com o virtual amadorismo de nossos eventuais oponentes”.“Quem seria o nosso negociador? Temos um policial treinado em nossa unidade? Quem poderia “negociar” e ganhar tempo até a chegada de uma equipe com policiais do BOPE de helicóptero, do Rio?”, questiona o especialista.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.