Informalidade das “facções” no setor do Vestuário gera prejuízos em Nova Friburgo e região

Edil Nunes, administrador do Sindicato dos Vestuários explica como trabalhadores estão perdendo cada vez mais direitos trabalhistas 

O administrador do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário de Nova Friburgo, Edil Nunes, publicou um texto esta semana na qual explica aos trabalhadores do setor como a informalidade das facções tem causado grande prejuízo a categoria e também ao município, como a arrecadação de impostos. Leia na íntegra o texto.  “Precisamos encarar este tema com responsabilidade e fornecer elementos que possam embasar um debate para que construamos uma política pública para o enfrentamento dessa mazela que acontece em nosso setor. Grande parte das empresas do setor do vestuário foi criada por grupos familiares, que se dividiam nas atribuições da produção. Foi após a década de 90, onde começaram a atingir um estágio maior de desenvolvimento, que começaram as contrações de profissionais para as atividades laborais. Décadas depois, atingimos a marca de 25 mil trabalhadores e nos tornamos a capital da moda íntima no país, onde são produzidas 25% das peças de lingerie do Brasil. Junto a esse crescimento começaram surgir as FACÇÕES, com trabalhadores sendo demitidos e incentivados a trabalhar em suas próprias casas, produzindo para uma determinada empresa e/ou grupo de empresas. Esta nova forma de produção só traz vantagem para as empresas, pois o trabalhador sequer tem noção que seus direitos estão sendo negligenciados. A informalização das relações de trabalho é marcada pela restrição de acesso a direitos trabalhistas e previdenciários por parte do trabalhador. A frustração só vai ser notada pelo trabalhador após alguns meses ou anos que o trabalhador estiver nesta situação, quando se der conta que não tem o repouso semanal remunerado, nem 13º salário, férias remuneradas, o não pagamento do INSS nem  recolhimento do FGTS. E por tabela, também representa uma significativa sonegação de impostos, que o município, estado e país deixam de arrecadar reduzindo investimentos principalmente na saúde, educação e segurança pública. Criou-se uma forma de pagamento por peças produzidas, com um valor ínfimo.  Assim os trabalhadores, para alcançarem uma remuneração que garanta o seu sustento, acabam prorrogando a jornada e aceleram o ritmo da produção. Em muitos casos sem intervalo para descanso e alimentação, entendo até altas horas da noite. Essa forma indiscriminada de “baixar custos”, flexibilizando não só o mínimo dos direitos trabalhistas, como o mínimo de tributação, alegando-se de falta competitividade, não só prejudica os trabalhadores como ao município. E sendo um tipo de competição desleal para com os que trabalham dentro da legislação, podem aos poucos vir a tornar inviável para as empresas que trabalham corretamente em nosso setor. Em Nova Friburgo a precarização das relações de trabalho fez surgir um grande número de empresas sonegadoras e que de forma desleal esta desregulando a competição saudável em nosso setor. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo está organizando uma campanha, com o objetivo de denunciar todos que estejam contratando serviços de trabalhadores sem garantir o mínimo de segurança e respeitos das normas trabalhistas que regulam os contratos de trabalho. O setor do Vestuário de Nova Friburgo é uma das atividades econômicas predominantes na cidade e essa produção em facções clandestinas cria uma ilusão no trabalhador de que é um “empreendedor”, mas não alerta sobre o aumento dos riscos elevados de adoecimento e a queda da remuneração real. Precisamos de um enfrentamento adequado, com debates e implementação de políticas advindas do poder público e dos atores sociais envolvidos, para que esse quadro social preocupante atual, não se torne em um desastre social nos próximos anos.” A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
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