Durante show, em diversos momentos, pastores tiveram a palavra e abençoaram o município. Johnny Maycon entregou a Chave da Cidade ao Conselho de Pastores de Nova Friburgo. Apresentações cristãs emocionaram fiéis e lotou a Praça do Suspiro
Na noite da última terça-feira, 16, durante a programação do aniversário de 205 anos de Nova Friburgo, os friburguenses que estiveram na Praça do Suspiro tiveram uma surpresa. Além das duas bandas cristãs programadas para subir ao palco, houve momentos em que pastores da cidade pediram bençãos para Nova Friburgo e também ao Prefeito Johnny Maycon. Tudo isso em forma de um “culto”, como alguns religiosos chamaram a ocasião. As pregações e a presença destes pastores, ao que parece, não estavam na programação oficial do evento.Tudo está documentado e pode ser visto ou revisto através do Canal do Youtube da Igreja Evangélica Maranata NF. As músicas da Banda do Cojenf emocionaram o público. A banda é do Conselho de Jovens Evangélicos de Nova Friburgo, da qual, parecem fazer parte o Prefeito Johnny Maycon e o Secretário de Turismo Renan Alves, conforme as fotos que datam de 2019 e 2018.Estiveram presentes também membros do Conselho de Pastores de Nova Friburgo (Copenf). Durante cerca de 1h20 de show, quase 55 minutos foram dedicados às palavras dos pastores, que derramaram suas bênçãos ao público, à população e à cidade de Nova Friburgo. A ideia de incluir a participação dos pastores – mesmo que não tenha sido incluída oficialmente na programação – foi aprovada pelo público, que aplaudiu a iniciativa do início ao fim.No final da apresentação, em um dos momentos mais emocionantes, Johnny Maycon subiu ao palco para receber uma oração. O Prefeito aproveitou a oportunidade para entregar “Chave da Cidade”, como foi dito na ocasião, para o Copenf. Após o show da Banda do Cojenf, foi a vez da grande atração da noite Diante do Trono levar os fiéis ao delírio.
Constituição veda o financiamento ou promoção de cultos religiosos
A Constituição Federal do Brasil estabelece princípios e diretrizes para a atuação do poder público, incluindo a questão da laicidade do Estado. O princípio da laicidade prevê que o Estado deve ser neutro em relação às diferentes crenças religiosas, não favorecendo ou discriminando nenhuma delas.O artigo 19, inciso I, da Constituição estabelece que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”.Isso significa que o poder público não pode promover ou financiar cultos religiosos específicos, incluindo cultos evangélicos, com verba pública. O Estado deve ser imparcial em questões religiosas e garantir a liberdade religiosa de todos os cidadãos, sem favorecer ou privilegiar qualquer religião específica.A impessoalidade é um dos princípios fundamentais da administração pública no Brasil, de acordo com o artigo 37 da Constituição Federal. Esse princípio estabelece que a administração pública deve agir de forma imparcial, objetiva e sem discriminação, tratando todos os cidadãos de forma igualitária.No contexto religioso, a impessoalidade significa que o poder público deve ser neutro em relação às diferentes crenças religiosas, não privilegiando ou discriminando nenhuma delas. Isso implica que a administração pública não deve tomar ações ou adotar políticas que promovam ou favoreçam uma religião específica em detrimento de outras.No entanto, é importante ressaltar que a Constituição também assegura a liberdade de culto e a liberdade religiosa dos indivíduos, garantindo que todos têm o direito de professar e praticar sua religião livremente, desde que não violem outros princípios constitucionais ou direitos fundamentais.Cabe ressaltar que interpretações específicas e casos concretos podem ser objeto de análise pelo Poder Judiciário para determinar se houve violação aos princípios constitucionais da laicidade do Estado e da liberdade religiosa.
Quanto custou?
A título de curiosidade, os quatro shows ecumênicos, sendo 1 da religião Católica e outros três da religião evangélica, tiveram os seguintes valores, segundo o Diário Oficial Eletrônico:
Rosa de Saron: R$ 80 mil
Diante do Trono: R$ 90 mil
Banda Ministério Reascender: R$ 2 mil
Banda do Cojenf: não foi encontrado o valor gasto pela apresentação